>O bArROCo

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Encontrar assunto para falar de Psicanálise não é difícil, haja vista sua relação íntima com a cultura. Recebi um e-mail de divulgação de uma revista de Psicanálise, e dentre os diversos artigos, encontrei um que inclusive já tive a oportunidade de assistir a uma aula do autor na minha faculdade (Alexandre Fernandes Corrêa). Ele escreveu um artigo tão interessante que resolvi falar do tema aqui: o barroco. Mas o barroco nas suas mais diversas manifestações, como a música, pintura, escultura, arquitetura, etc, etc, etc. E claro, pretendo fazer um link com a Psicanálise!
Quando se faz uma busca pelo termo “barroco” logo nos deparamos com um conceito que trás em seu cerne a representação de algo que é irregular, significando “pérola imperfeita”. Desde sua conceituação o barroco possui um cunho quase que negativo. Se buscarmos o contexto histórico ao qual ele surgiu, entende-se o porquê de tantas críticas, que chegavam até a nem considerar o barroco como arte! Suas formas irregulares, imperfeitas, a maneira exagerada de exaltar os pecados do homem, faziam com que a sociedade que vinha do período renascentista repugnasse tal expressão.
O artigo de Alexandre Correa – “O labirinto dos significantes na cultura barroca”, contextualiza de forma brilhante o período que o barroco surgiu também na América Latina e a forma como ele se espalhou pelo mundo “Sua missão central parece ser dar à vista uma consciência da idéia de movimento. Só assim podem-se compreender as dimensões geográficas pelas quais se espalhou e se difundiu no planeta”.

O que me remete à Psicanálise ao falar de barroco? Bom, citei algumas características desta arte e suas peculiaridades, e com elas posso pensar na maneira como se desenvolve a teoria psicanalítica. A arte barroca busca em suas obras o movimento, o movimento que afirma a vida, a transitoriedade. Freud escreveu um pequeno texto intitulado “A transitoriedade”, onde diz que o que está vivo se mexe, e é o contraste que aguça a percepção. Outro ponto que destaco é o modo confuso e os paradoxos contidos nesta arte que nos levam a pensar no inconsciente. Mais uma vez dou o exemplo dos sonhos, onde as vezes numa mesma cena somos velhos e crianças, uma pessoa e outra, pode ser dia e noite, enfim, o mundo do possível é esse! Os atos falhos também são exemplos de algo que nos divide, nos confunde, que consiste em dizer algo, sendo que, na verdade pretendíamos falar outra coisa.
Denise Maurano em seu livro – Para que serve a Psicanálise? pontua que “na arte barroca, trata-se de situar o infinito do ser na dimensão finita da natureza e do humano”. Pensando assim na questão da dessubjetivação como o que “viria paradoxalmente designar a subjetividade barroca”. Denise ainda inclui a questão do fim de análise em relação a essa dessubjetivação.
Estudar o barroco ou mesmo a arte em si é ter acesso a subjetividade de um artista, de um contexto, de uma sociedade…por isso talvez “seja mais fácil entender a psicanálise pela arte do que pela ciência tradicional”…

Mariana Aconi

5 thoughts on “>O bArROCo

  1. >Mari,Li seus textos em um piscar de olhos. Simplesmente incrível a perspicácia com que tece teus comentários, citando com coerência e propriedade os conceitos e ao mesmo tempo elaborando a tua percepção acerca desses temas é impressionante. Você é didática e ao mesmo tempo profunda nas suas colocações. PARABÉNS, escreva mais, muito maisNos faz bem o prazer da boa leitura.Laura

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