>Pais e filhos: dos complexos às metáforas

>Boa noite!

Por diversas questões (pessoais até!) escolhi falar um pouco sobre um tema que gosto de ler a respeito, e que, inclusive, tem a ver também com a monografia que estou preparando. 
Vamos falar hoje um pouco de pais e filhos? Refletir sobre essa relação que é fundamental para compreendermos a formação psíquica de uma criança, e por que não, a sua estrutura psíquica (leia-se: neurótico, psicótico ou perverso).

É incrível o quanto se pensa errado ainda sobre essas três estruturas psíquicas. Que os críticos me perdoem, mas não é objetivo da Psicanálise “enquadrar” e muito menos classificar as pessoas. O que essas estruturas representam são as formas que as pessoas têm de se relacionar com o mundo, e por que não, com o grande Outro. Mas, calma… não compliquemos, esse grande Outro aí é uma “outra grande história” que ainda vai aparecer aqui no blog!
Quando falamos em estrutura psíquica, é importante pensar em como ela “surgiu” e se estruturou, e mais importante, essa estruturação não ocorreu sozinha! Isso quer dizer que, como seres civilizados, inseridos numa cultura, recebemos influências de alguém desde muito cedo, esse alguém me refiro a mãe ou outra pessoa com a função materna, que pode não ser necessariamente a mãe, pode ser a avó, por exemplo.
Como eu disse, desde muito cedo recebemos investimentos de alguém que possui muitas expectativas! Sabemos o quanto é comum os pais fazerem planos e idealizarem o filho que esperam. E isso é fundamental, pois assim, esse filho já vai ganhando um espaço e sendo reconhecido como tal. Como se diz na teoria de Lacan, o bebê recebe um banho de significantes que geram uma identidade, da qual ele pode ou não se identificar. E aí entram questões bem mais complexas quando não há esse investimento…(em outro momento falarei disso).
Quando nasce, por questões edipianas, a mãe toma para si esse bebê, como parte sua e ele (o bebê) se coloca nesta situação de objeto, numa relação simbiótica, onde podemos caracterizar uma fase de alienação.  O corpo de um é extensão do outro, ou seja, não há separação para o bebê. Ele quer ser tudo para essa mãe, para que ela não precise olhar para outra coisa, a não ser para ele. E o desejo materno quer “abocanhar” essa criança para si! A famosa boca de jacaré! E alguém precisa salvar os dois dessa relação…
Já dá para perceber o quanto se fala da mãe no processo de estruturação psíquica, mas o pai tem uma função tão importante quanto, ele entra em cena com um significante que finaliza essa fase “incestuosa” de mãe-filho, o Nome-do-Pai, que utilizando uma metáfora, ele é o palito que segura a boca de jacaré da mãe que quer abocanhar essa criança (entenderam? espero!).

É como se, antes do pai “interditar” essa relação, a criança não tivesse leis dentro de si, leis que vigoram em nossa sociedade, leis culturais como a do incesto…Freud nos dá como exemplo, o mito de Édipo, onde ocorrem duas quebras de leis, o incesto com sua mãe Jocasta e o parricídio, finalizando com a perfuração de seus olhos como uma punição para si. 

Portanto, após a interdição do pai, quando esta ocorre com sucesso, a criança adentra o mundo das leis, se torna um ser da cultura, com regras, desenvolvendo a instância que nos “policia”, a saber, o Supereu (e não Superego como alguns insistem…). 
Esse processo do qual descrevi de forma muito objetiva pode ser chamado de Complexo de Édipo, ou seja, toda criança passa por este “momento” com os pais, mas o que se estrutura varia a partir de como essa criança encarou a interdição. Ela pode ter “aceitado” e abdicado do amor pela sua mãe para se estabelecer como um ser de cultura (neurótico), ou ela pode ter desmentido, onde não ocorreu uma “aceitação” total desta separação (perverso), ou ainda ela forcluiu, onde nem houve a possibilidade de uma “aceitação” para a separação (psicótico). Lacan nomeia o Complexo de Édipo de “Metáfora Paterna” utilizando-se de um matema para explicar este processo:

NP: Nome-do-Pai
DM: Desejo Materno
A: Outro

Este matema também deixo para depois, porque vale a pena aprofundar!

É importante ressaltar que escrevo os textos sem muitos termos técnicos para não se tornar uma leitura enfadonha e uma escrita psicótica, que somente eu entenda! Meu interesse é tornar o assunto interessante e gerar questionamentos para todos, inclusive os leigos…

Até mais….!

Mariana Anconi

9 thoughts on “>Pais e filhos: dos complexos às metáforas

  1. >Mari,Só o que posso dizer é: escreva mais!!!Passeamos por conceitos que não são estranhos aqueles que lêem sobre o assunto, mas com você eles ganham uma leveza que instigam também os desconhecidos do tema… Mérito total pra você que consegue gerar questionamentos e reflexões sem o incômodo que algumas leituras técnicas acabam gerando.BeijosLaura

  2. >Mari,Cada vez que entro aqui fico surpreso com seus textos, nao por vc nao ter capacidade para qual, mais sim pela facilidade que vc possui com as palavras. Vc consegue através de uma linguagem meio que complexa, passar a ideia central do que vc quer dizer com muito exito!! Parabens LindaContinue assim, para quem sabe chegue naquela etapa que ja conversamos e que vc ja sabe quem vai ter nos agradecimentos!!! haha beijao

  3. >Lauraaa…obrigada querida! Já vejo em vc um interesse pela psicanálise que tende a aumentaro… que bom! espero poder motivá-la mais e mais !!!beijaooEduardo, obrigada!! Que bom que gostaste dos textos, mesmo não tendo conhecimento sobre a teoria! Isso significa que estou atingindo meus objetivos!! Ah, pode deixar que não esquecerei seu nome nos agradecimentos do meu primeiro livro hahaha…beijoooo

  4. >Olá mariiii,1º vez que venho aqui e me deparei com um banho de questões interessantes, como tu bem sabe a psicanálise não é a abordagem dos meus olhos mas admiro muito e aqui tu soube abordar de uma forma clara N assuntos, ficou muito bom… Essa questão da família sempre me encheu os olhos… ficou show de bola aqui, viu? gostei do blog. Beijos =*** sucesso!

  5. >Olá Mariana.Que proposta incrível! =DAchei muito interessante o modo como abordou a função paterna de maneira acessível, contundente e, sem menos-prezar toda a profundidade (e complexidade) que esta teoria possui. É um trabalho muitas vezes minucioso, e tão digno! Confesso que meu conhecimento sobre Lacan ainda é bastante raso, mas vejo o quanto sua contribuição à Psicanálise é de grande valor. A relação com a linguística e o próprio momento em que seus escritos se desenvolveram trazem um sentido tão único.Certamente irei segui-la pois quero acompanhar teus próximos posts. Parabéns.Abraços

  6. >Olá Renato! Obrigada pelas palavras. Aproveito para ressaltar que seu blog tbm muito me chamou atenção! E claro, já estou seguindo. Em relação a linguistica, que vc mencionou, esta de fato muito influênciou para o desenvolvimento do pensamento de Lacan, mas lembrando que Lacan na verdade a subverte à sua maneira…Espero vê-lo mais vezes aqui =)Abraços!

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