>Sobreviver ao imediatismo … é preciso!

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Como as práticas psicoterápicas e psicanalíticas sobrevivem ao imediatismo atual? Essa é uma pergunta da qual me fiz muitas vezes desde quando iniciei a graduação em Psicologia. E agora que me encontro na etapa final, tento vislumbrar algumas reflexões a respeito…

É notável o quanto temos a impressão de que o tempo está passando mais rápido do que nunca, que os meses estão correndo, que os anos estão voando! Mas por que isso? E antes, o tempo passava devagar? Por que temos essa impressão, afinal?
Bom, hoje eu estou me comunicando com vocês via esse site na internet, que me conecta ao mesmo tempo com pessoas do mundo todo, e isso realmente é fantástico! Esse é só um exemplo trivial do processo de modernização que sofremos a cada dia. Além desse recurso que citei, podemos contar com inúmeras “engenhocas” que facilitam (ou dizem que facilitam) nossas vidas como: celulares, notebooks, pagers, etc, etc… Ah! e não posso esquecer dos mais atuais: twitter, facebook, orkut, e por aí vai (a lista é grande mesmo). Todas essas ferramentas ocupam nosso tempo demais! Já contou quantas vezes você perdeu a noção do tempo na frente do computador, no MSN, por exemplo? Não há tempo que passe devagar assim…
OK, mas o ponto em que quero é chegar é que, vivemos a era da INFORMAÇÃO. Temos informações nos bombardeando a toda hora, de todos os lados!!! O conhecimento está mais acessível, isso é fato. Como consequência, temos uma vida de correria, sem tempo pra nada, onde se quer tudo ao mesmo tempo, onde se quer as respostas imediatas para todas as mazelas do ser humano, e isso é compartilhado por diversos leitores aqui, acredito eu. Logo, fica a questão: Como fica a Psicanálise nesse momento onde o tempo é curto e as respostas são para agora? Esse imediatismo ao qual estamos mergulhados nos gera de certa forma uma alienação enquanto sujeitos? Me pergunto isso porque vejo hoje, muitas psicoterapias que trabalham em prol de uma promessa de cura para os sintomas em tempo record, mas que na verdade mais “jogam pra debaixo do tapete” do que ajudam o sujeito… 
Contudo, por mais que o a sociedade exija das psicoterapias e das análises esse feedback imediato, ainda há esperança para aqueles que querem ir muito além dos padrões de sujeito que a cultura impõe, ou seja, para aqueles que buscam uma dessubjetivação (que é o que uma análise proporciona quando chega a seu fim). E quando digo, aqueles, é porque não são todos que estão dispostos a adentrar esse caminho difícil, pois resistências não vão faltar!! 
A análise demanda tempo, investimento, desejo e tudo que diz respeito ao sujeito do inconsciente. Me refiro a um sujeito dividido, castrado, marcado pela falta, que em seu discurso não diz A verdade, mas sabe que através de seus não-ditos expressa sua experiência singular. E que no final, vale muito a pena sair do papel de herói (gozo).
Enfim, para aqueles que realmente se encontram reféns do imediatismo, não adianta procurar respostas prontas em uma análise, a frustração se instalará mesmo. Mas deixo aqui o questionamento: Do que adianta tentar encontrar respostas a curto prazo, se na verdade, essa resposta, essa busca por algo (objeto a), nunca cessará? É que na verdade, o percurso vai nos mostrando isso, logo, se for um percurso curto e breve, perdemos a chance de entender que a falta é estrutural….

**Para ilustrar o post de hoje, utilizei imagens da arte Surrealista. Procurei a definição no dicionário sobre este tipo de arte e encontrei:
“Movimento artístico e literário, de origem francesa, que busca um automatismo puro, capaz de dar liberdade às emoções subconscientes sem controle da consciência ou da razão”. Dic. Ruth Rocha
Pra mim, a liberdade se relaciona muito com a Psicanálise, por diversas questões, mas também porque faz questionar o que parece óbvio e visível aos olhos leigos.
Fico por aqui, até mais!
Mariana Anconi

4 thoughts on “>Sobreviver ao imediatismo … é preciso!

  1. >Mariana,Perfeita escolha, ao se tratar da psicanálise, utilizar imagens surrealistas. Salvador Dali sempre nos desafia a olhar para a imagem e buscar sentido em meio ao emaranhado de significantes aparentemente desconexos.Outra coisa que me chamou a atenção foi forma como associas o tempo e a modernização da comunicação. Surgiu na pós-modernidade o espaço virtual, que implicações existem (e existirão) para o sujeito creio que ainda sabemos pouco. O que posso afirmar é que o tempo nunca mais será o mesmo, assim como Descartes influenciou no passado, a virtualidade influenciará no futuro.Beijos.

  2. >Olá Marcelo! Realmente, a arte Surrealista muito nos diz a respeito dessa visão psicanalítica! Aliás, a arte como forma de expressão muito tem a ver com o inconsciente de Freud! É como dizem algumas pessoas que conheço: Se a arte algum dia acabar não existirá mais Psicanálise.E quanto a virtualidade que nos cerca hoje, já temos algumas consequências, como a presença de relações interpessoais mais líquidas e superficias…Obrigada pela contribuição!Beijos!

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