>Ainda sobre as "Entrevistas Preliminares"…

>Continuando este tema que iniciei anteriormente, mencionei bastante a importância desta primeira “etapa” no processo de análise, focando o primeiro contato entre analista e analisante (paciente).

Hoje, falarei de algo que gera muita polêmica, ocasionando interpretações errôneas…

Hipótese Diagnóstica
Nas primeiras sessões, durante o período das entrevistas preliminares, o analisante fala mais de seu sintoma, como fenômeno, colocando-se quase que alheio a este, ou até mesmo posicionando-se no lugar de “vítima”. O analista escuta de maneira atenta, tudo que o analisante despeja, baseando-se na atenção flutuante, ou seja, o importante desta escuta diferenciada são os significantes ditos pelo paciente, que formam uma cadeia, um (significante) sempre puxando outro (inconsciente estruturado como uma linguagem). 
A partir desta fala inicial do paciente, impregnada de mecanismos de defesa (racionalizações, projeções, etc.), o analista tem acesso a esse discurso, que em algum momento falha, ou apresenta uma falta (ou não!no caso de psicóticos). Dessa forma, se torna possível uma hipótese diagnóstica acerca do paciente, ou seja, sobre sua estrutura psíquica.  
O analista precisa ter um norte para seguir com as sessões, e, este norte, são as estruturas clínicas (neurose, psicose e perversão). Contudo, é aí que devemos ter cuidado, não se trata de enquadrar o paciente a uma dessas estruturas, mas de saber de que maneira este sujeito saiu do Édipo e como ele encara sua falta estruturante. A importância disto está no fato de que o tratamento de um psicótico não permeia as mesmas direções do neurótico. Enquanto que o neurótico foge de sua falta, ou seja, não quer saber daquilo que o marcou estruturalmente, o psicótico possui a certeza de que nada lhe falta, é completo. A palavra do neurótico é a dúvida. A do psicótico é a certeza. 
Sendo assim, percebemos a importância do direcionamento para se seguir com a análise, e este direcionamento é marcado por essa hipótese, que mais tarde pode vir a se confirmar ou não. Na psicanálise, nada é engessado, até mesmo as estruturas psiquicas são contínuas, possibilitando o sujeito se mostrar mais complexo ainda…!
Fico por aqui hoje!
Abraços!
Mariana Anconi

2 thoughts on “>Ainda sobre as "Entrevistas Preliminares"…

  1. >Olá Mariana, gostei bastante do seu blog e da forma como você aborda a psicanálise, de modo que as pessoas que nem tem contato com a psicanálise sentem-se atraídas e até "entendem" o que você quer transmitir. Por falar em transmissão (aqui, da psicanálise) parabenizo sua iniciativa, mesmo que de forma bem atual e casual, através da INFORMAÇÃO via internet em transmitir fragmentos da psicanálise. Você participa das atividades da EBP ai no Maranhão? Conhece a Escola? Queria saber um pouco mais de como começou seu contato com a teoria, gostaria de trocar figurinhas com você e confesso que fiquei encantada com seu BLOG.Belíssimo cada post enviado!SucessoPollyanna Duarte (Psicóloga, atuo no NASF- Paraíba)qualquer coisa, entra em contato, vou adorar: pollydcv@hotmail.com

  2. >Pollyana, que bom que gostaste do blog!Meu primeiro contato com a Psicanálise foi na faculdade de Psicologia, e a partir disso, a paixão e o desejo só aumentaram!Quanto a proposta do blog, vc acertou em cheio, é transmitir partes da teoria psicanalítica através deste meio tão popular (internet-blog)e assim as pessoas poderão ter acesso a este universo que é a Psicaálise!Anotei seu e-mail e em breve entrarei em contato para trocarmos mais figurinhas!Abraço!

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