Encontro com analista – Parte II

Toc, toc toc…

Dr. Paul abre a porta, com um certo espanto.

– Sabe Dr. Paul, resolvi voltar porque … porque… pela primeira vez não senti que me tratavam como criança. Posso ter sido até grosseira naquele dia, mas o senhor não tentou me agradar…e aquilo mexeu comigo…

– O que você sentiu? Ele pergunta.

– Na hora fiquei com raiva, me senti expulsa daqui! Acho que no fundo, depois de tudo aquilo que eu disse, esperava que o senhor tentasse me fazer mudar de ideia, e me fizesse ficar, e o senhor não o fez…Já vi que tem algo de diferente nesse tratamento, e, fiquei com vontade de voltar…

– É Luise, esse “tratamento” realmente difere um pouco dos outros, sabe, aqui nós só temos uma regra.

– É mesmo? Qual? Pergunta Luise curiosa.

– A única regra aqui é que você fale o que lhe vier a mente, sem medo de julgamentos, sem uma fala pronta. Você pode chegar aqui e falar do que quiser, que estarei pronto para ouvir e intervir em determinados momentos.

– Bom, falar não é problema pra mim (risos) o difícil vai ser achar que não estou sendo julgada por você!

– Por que você acha isso?

– Porque as pessoas tem a tendência natural de julgar umas as outras… Pelo menos quando converso com alguém mais velho sinto isso! Não me sinto a vontade para contar TUDO o que acho de verdade…

– Com quem você costuma conversar?

– Meu pai, umas tias minhas… e muito pouco com minha mãe…é, muito pouco com ela…

Luise espera uma fala de Dr. Paul.

Silêncio no consultório.  Respiração ofegante. Aperto no peito. Ardência nos olhos. Lágrimas descem…um lenço para Luise.

—————————

Que encontro! Foi quase um desencontro! Tudo começa atropelado, Luise despeja toda sua agressividade em Dr, Paul, e o que ele faz? Não responde a demanda da analisanda. Não se coloca no lugar de mãe, pai, nem amigo, mas sim, no lugar de analista. E aquilo gera o espanto para Luise. Engraçado que o espanto não ocorre na análise, mas sim fora dela. Lembremos: Quando a professora abre a porta para ela entrar, aquela cena remete a outra em que seu analista abre para ela sair, o que deu a impressão de que estava sendo expulsa. Mas, claro, veja só como Luise fantasia! Dr. Paul abriu a porta para ela, pois ela estava realmente de saída e muito irritada…

O espanto gerado em Luise, a faz voltar ao consultório do psicanalista.

A regra fundamental de uma análise citada por Dr. Paul, é nada mais, nada menos que a associação livre! Isso mesmo, associar livremente os pensamentos. Nossa, que besteira, o leitor deve pensar. Falar o que vem a mente parece uma regra tão simples, que nem deveria ser regra! Ok, parece simples, acontece que no processo analítico estão em jogo outras questões, que favorecem, ou não, a associação livre, e a mais importante considera-se a transferência, mola propulsora da análise.

No primeiro encontro de Luise e Dr. Paul, tivemos uma amostra do que pode ser a transferencia negativa, que dificulta o andar de uma análise, no entanto, cabe ao analista tentar mudar a situação e transformá-la em transferencia positiva. Transferência em psicanálise trata-se do amor/ódio (afetos) no processo analítico.

No final, Luise toca em um ponto crucial de seu sintoma. O choro veio como resposta do sujeito de seu inconsciente. Nem sempre as palavras são as melhores respostas!

Fico por aqui, tentei tornar o assunto um pouco mais interessante através do encontro entre os personagens Luise e Dr. Paul, espero não ter confundido mais vocês rs! Criticas são bem vindas aqui….

Grande abraço!

M.A.

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