A mente “Sem limites”

Boa noite, boa noiteee…

Não tenho o hábito de falar sobre filmes aqui, mas hoje decidi falar de um que assisti ontem, e muito me chamou atenção…

Trata-se do filme “Sem Limites” (Limitless) estrelado por um elenco bem interessante: Bradley Cooper, Robert de Niro, Abbie Cornish, Andrew Howard, Anna Friel, entre outros!

Bom, a trama se passa em volta de um “medicamento” que dá novas possibilidades ao cérebro humano, ou seja, com esta pílula, o homem é capaz de acessar 100% do potencial do cérebro.

O protagonista Eddie Morra (Bradley Cooper) estava tendo dificuldades em terminar um livro dentro do prazo estabelecido por contrato, além de não conseguir se concentrar, nem organizar a própria casa, ele perde a namorada e vê como única alternativa experimentar a tal da pílula.

Bom, o resto da história todos sabem, ele se surpreende com os efeitos da droga, consegue terminar o livro em quatro dias, aprende novas línguas, recebe propostas de emprego, ganha muito dinheiro e por aí vai…o final não vale contar né! rsrs

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É uma história muito interessante e sedutora, pois no decorrer do filme, é inevitável não nos colocarmos no lugar de Eddie e ver o quanto seria bom aproveitarmos muito mais do potencial de nosso cérebro. Já imaginou apenas ouvir um pouco de uma língua estrangeira e tornar-se fluente nela? Ou mesmo conseguir trazer de volta lembranças bem guardadas e utilizá-las  a seu favor?

Claro que esse tema me fez pensar muito em psicanálise, mas o que mais me chamou atenção foi a possibilidade do consciente acessar conteúdos esquecidos, e mais uma vez, o tema da sociedade do consumo se faz presente na telona. Como o próprio filme mostra, efeitos colatarais fazem parte das consequências, e imaginem, que efeitos colaterais teríamos se tivéssemos acesso as lembranças que por algum motivo resolvemos “esquecer”? Lembrar de tudo, sem algo para barrar, ou recalcar mesmo, seria angustiante, o inconsciente ficaria a “céu aberto”, bem como ocorre na psicose.

E a sociedade do consumo, do “quero mais, quero mais”, onde os gadgets tem espaço cada vez maior na cultura e na vida das pessoas. Fui procurar na internet um significado mais completo para a palavra gadgets e lá estava a psicanálise fazendo sua contribuição:

“Além de seu mencionado uso como gíria tecnológica, cabe pontuar que o termo “gadget” ganha contornos específicos no campo da Psicanálise quando, na segunda metade do século XX, o psicanalista francês Jacques Lacan passa a dele fazer uso para referir-se aos objetos de consumo produzidos e ofertados como se fossem “desejos” pela lógica capitalista – na qual estão agregados o saber científico e as tecnologias em geral.”

As drogas tem uma função na lógica capitalista, e apresentam-se como objetos valiosos aos olhos de quem consome, como uma operação metonímica, de desdobramento, e que depois se inverte a lógica, o consumidor passa a ser objeto desse discurso (capitalista).

Em relação as drogas lícitas (ou remédios) o capitalismo também engloba a questão das indústrias farmacêuticas, que contam com o apoio de seus maiores vendedores, os profissionais da saúde. Aí fica uma história de remédio para TODAS as dores possíveis, inclusive as da alma.

Vale a pena ver o filme e pensar a respeito, as reflexões são as mais diversas, e cabe-se aí uma interlocução com outros saberes também, que não só a psicanálise.

Abraço!

Mariana Anconi

Trailler do filme:

One thought on “A mente “Sem limites”

  1. Olá… Gostei do comentário e irei assistir o filme, parece bem intrigante e revelador dos “desejos” de muitos por aí… Que pílula fantástica! rsrsrs
    Sobre a articulação com a psicanálise, fica bem nítido aí a inserção cada vez maior dos sujeitos contemporâneos no discurso do capitalista né, que traz o imperativo “felicidade” (leia-se satisfação plena) articulado á tentativa desenfreada desses sujeitos naquilo que é proposto pelas mais variadas formas do discurso capitalista inserir-se no cotidiano. Este, apoiasíssimo pelo marketting e publicidade invadem nossas “mentes” seja na TV, na Intenet, nos outdoors pela cidade, nos shoppings centers e por aí vai… em seu ciclo incessante, ludibriando e tamponando a falta (castração)!

    Bom, tenho que ver o filme agora né? Ele me lembra meu trabalho de conclusão de curso, onde abordei o consumismo infantil sob a ótica da psicanálise lacaniana, utilizando os conceitos de gadgets, gozo, discurso do capitalista e objeto a, para discutir os resultados de minha pesquisa!

    Beijos

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