Do início ao fim

Quando você tem a possibilidade de conversar com alguém mais velho, com pelo menos o dobro da sua experiência de vida, é possível perceber algumas coisas que talvez teríamos que esperar o tempo chegar para nos darmos conta. Se tiver essa oportunidade tire o máximo de proveito dessa conversa, os ensinamentos podem ser valiosos. Diante dessa oportunidade, acho que apreendi algumas “pequenas” coisas importantes…

————-

Chega um determinado momento na vida em que o relógio passa a ser um inimigo. O bater de cada ponteiro corresponde a uma batida do coração. O tempo não passa, voa. E com isso, muitas vezes nos perdemos ao valorizar coisas pequenas. Pequenas em seus propósitos.

O que era bom tempos atrás passa a ser estranho, frustrante, cansativo…diferente. Você passa a valorizar momentos, pessoas, gestos. Um olhar, um sorriso, mãos dadas ganham outros significados. Talvez aquelas paixões materiais vão perdendo seu sentido, até as mais altas tecnologias tornam-se obsoletas. Nas relações você busca pessoas com essência. Mas não é qualquer essência, tem que ser algo que toca em você também. Algo do reconhecimento…

A família passa a ganhar valor inestimável. Não que não fosse importante antes, mas parece que com o tempo, o fato de nos depararmos cada vez mais próximos da nossa mortalidade (e dos outros também) nos coloca numa nova posição subjetiva. Pensar que somos seres finitos, que em algum momento a morte é uma possibilidade, gera um sentimento no mínimo estranho, sem resposta exata, apesar das questões religiosas, não se tem uma resposta única, exata. Cabe a cada um escolher sua crenças… ou não.

O universo está aí, a vida nos é imposta (alguém aí pediu pra nascer?) e então, temos que aprender a viver. Num mix de alegrias, tristezas, conquistas e decepções vamos construindo nossa história. E que história difícil…Na verdade, nossa história começa bem antes de sairmos da conforto do útero materno, começa com nossos pais e familiares. O nascimento é algo traumático, os desconfortos são diversos, mas no fim, geralmente vem um outro que socorre e possibilita o sujeito dentro de nós emergir.

Do nascimento ao fim da vida, percorremos um caminho complexo, e no final, o que conta mesmo são as pessoas e as lembranças que nos constituem enquanto sujeitos faltosos. Não somos completos, longe da perfeição…somos barrados e desejantes. Somos seres sociais, vivemos em grupos, comunidades, bandos. Sozinho não há sujeito que sustente a angustia que é viver.

Fico por aqui, beijos.

8 thoughts on “Do início ao fim

  1. Sou um ser Desejante.
    Desejo ler sempre o seu blog. Tenho muito a aprender com essa Menina… imagine quando ela ficar velha? Vai ser difícil marcar consulta com você.

  2. Mari,

    Adorei o post novo. Você poderia me informar a referência Bibliográfica para ler um pouco mais a respeito do assunto. Me interessei.
    Beij9o grande e saudades!

    • Oi Cris!

      Bom, posso indicar livros do Zygmunt Bauman que falam das relações no mundo contemporâneo.
      Tem um livro que é muito bom, Amor Líquido.
      E claro, quando escrevo esses textos estou atravessada pela teoria psicanalítica de freud a lacan.

      Beijos e saudades tbm!

  3. Concordo. “É impossível ser feliz sozinho…”.
    Isso é o que realmente importa e o que iremos levar para sempre, as lembranças e ensinamentos das pessoas que nos marcaram e marcam de alguma forma.
    Claro que você é uma delas, haha.
    Te amo.

  4. Nossa Mariana, seu texto me tocou.
    As imagens escolhidas por vc ajudam a dar um sentido especial, vivenciar grandes convocações do ciclo de vida como a gravidez, a infância e a velhice, geram transformações no sujeito. Sempre reflito sobre o processo de envelhecimento, as perdas, a castração e o luto.
    Ultimamente, com a chegada da Sofia, minhas atenções mudaram para os ganhos, as responsabilidades adquiridas e o gozo nas relações humanas.
    Hoje, ao retornar para algo que tem se construído como um lar e ser recepcionado por um sorriso sincero, fico maravilhado com o espetáculo que é a vida de uma forma que nunca tinha experimentado antes.
    As coisas mudam, resta-nos mudar e nos adaptar para poder curtir cada etapa desse ciclo maravilhoso que é a vida.

    • Imagino a felicidade de chegar em casa e ter alguém te esperando com um sorriso sincero! Sophia deve estar linda!
      Experiência única que estas vivendo hein Marcelo!!!

      Beijãooo

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s