Algo a dizer

Quem dera se todo dia que a gente acordasse e a inspiração viesse no primeiro minuto. Já pensou? Acordar, ir fazer suas atividades, trabalhar, cheio de ideias e novas propostas? Aqui no blog, por exemplo, ideias passam a mil na cabeça, mas claro, é preciso filtrar, não vale a pena colocar tudo que vem a mente! Diferente do processo de análise, já discutido aqui, onde falar de tudo que lhe vem a mente, sem restrições, é uma regra.

Hoje pensei em várias coisas para escrever, iniciei alguns textos, mas não senti prazer em terminar nenhum. Escrevo quando me dá prazer, não tenho obrigação nenhuma. Por isso esse espaço (blog) é tão particular e transmite, de certa forma, um pouco de minha subjetividade também.

Bom, a questão é que, pensando no que eu poderia escrever hoje, não consegui formular nada de concreto. Pensei em vários temas, mas mesmo assim, o vazio tomou conta. Vocês podem perguntar: Que vazio? Ah gente, esse vazio que as vezes nos invade, e que não temos resposta! É o simples “Não sei”… Duas palavras que para algumas pessoas são DIFÍCEIS de se dizer. E isso acontece por vários motivos, mas geralmente, acredito que tem uma relação com o fato de expor uma falta… Não só uma falta de resposta, vamos além, uma falta constituinte, por quê não?

Esse “não sei” pode ser dito em palavras ou mesmo através do silêncio. Aliás, outra coisa que incomoda muito as pessoas é o silêncio. A palavra muitas vezes preenche um vazio que nos angustia. O silêncio não, parece evidenciar essa angustia. E isso me lembra de um momento da minha própria análise (muito confidencial isso, não espalhem!) em que deitei-me no divã e o analista permaneceu em silêncio. Sem me convidar a falar (que era o que esperava), eu, sem saber o que ia contar naquele dia. Então, aí estava ele, o silêncio. Parecia que o quanto mais eu pensava no que eu ia dizer, mais eu não sabia e o silêncio continuava! Que angustia, gente! Até que me ocorreu algo importante e “soltei” as primeiras palavras…(soltei mesmo, pareciam estar presas na garganta).

Em análise, as palavras parecem ter nova cor, novo status e principalmente, tem extrema importância. Porque foge do discurso do dia-a-dia, ou seja,  no divã, outros componentes facilitam (ou dificultam) o inconsciente, presente na linguagem, emergir. Um ato falho, meus caros, pode dizer mais que 1 hora de frases, explicações, racionalizações. O analista comemora quando o analisante comete um ato falho (que de falho não tem nada!).

Em relação a linguagem e sua conexão com o inconsciente, Lacan nos ensina muita coisa, principalmente quando ele afirma que: “O inconsciente é estruturado como uma linguagem”. Esse axioma é fundamental para pensarmos a maneira como opera essa instância. Podemos até pensar nas figuras de linguagem, metáfora e metonímia. Transpondo para a psicanálise, o desejo opera como metonímia e o sintoma como metáfora, ou seja vem substituir algo da psique. Mas esse é um tema por demais amplo e rico, que adoraria falar em outro post…

Voltando a questão da análise, ela convida a falar, e cito uma frase que ouvi na aula de hoje e que concordo: A análise é como construir uma poesia. Tem algo mais singular que uma poesia? O poeta nos transmite em palavras sentimentos que temos dificuldade em nomear. E é isso que tem a ver com a análise, você tem a chance de nomear os sentimentos também, por mais difícil que isso pareça.

É, parece que para quem não tinha nada a dizer no blog, algo foi dito! Hoje, não foi nenhum texto elaborado, nem pensado anteriormente, mas simplesmente surgiu do vazio, aliás, simplesmente não, porque houve uma aposta minha de que eu teria algo a dizer. E o legal, é pensar isso na análise, há sempre uma aposta no sujeito, no silêncio em análise.

Tá bom por hoje, bom resto de sábado  a todos!

Beijos

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