Nostalgia

* Leia o texto escutando esta música:

Sinto saudade de quem não vejo mais. O tempo em que as risadas eram altas e sinceras, não volta. Hoje prevalece o riso contido, as palavras são medidas, as lágrimas descem escondidas. Quem não sente falta dos problemas da infância? Broncas do pais, brigas entre amigos da escola, o dinheiro gasto em balas e chicletes, os deveres de casa tão chatos de se fazer, grandes problemas.

O melhor amigo com ciúme de uma amizade nova, o professor que lutou para você aprender aquela matéria chata, e você não dava a mínima pra ele. Aquele artista famoso que fazia você dançar e aprender todas as músicas. Os irmãos que eram insuportáveis e tão diferentes de você.  As idas ao parque com os amigos, os jogos e brincadeiras no antigo prédio. Falar mal dos outros era apenas uma brincadeira inocente.

Ir a casa dos avós e saber que ali você pode tudo! Escutar as histórias que eles têm para contar e ensinar. Bagunçar tudo e depois ir embora sem nenhum remorso. E eles estarão sempre lá te esperando, esperando a bagunça outra vez.

Na infância parece que tudo é permitido, tudo que diz respeito a sinceridade. Sem máscaras, sem dúvidas,e  a vida parecia que ia devagar, devagar, devagar…E ser adulto era uma coisa tão distante, assim como a Lua.

Até que um dia você acorda e procura o uniforme, o tênis da escola, a mochila, e…cadê? Em vez disso, você encontra uma bolsa ou pasta, muitos livros, roupa social, e pode estar sozinho em casa. Cadê sua mãe chamando? Seu café pronto para tomar? Nada. Ser adulto não é fácil, mas você precisa encarar. A vida chama para a responsabilidade. Inúmeras na verdade.

O sonho de ser astronauta,  jogador de futebol, cantora ou bailarina passou longe e transformou-se em algo que você não pensaria quando criança. Mas isso não quer dizer que é ruim. O ruim é quando se perde o sonho, mesmo sem concretizá-lo. Quando não se sonha mais, e a vida passa a ser apenas o aqui e agora. Chato. Entediante.

Hoje adulto, você também tem sonhos e objetivos, diferentes de quando criança, claro, mas se está feliz, fazendo algo que gosta, a criança em você agradece. Somos assim, metade adulto, metade criança, precisamos fantasiar, sonhar e principalmente lembrar do “tempo bom que não volta mais”. Esse tempo não volta, mas nós o reconstruímos de diversas maneiras, seja com o trabalho, os filhos, a família, amigos…

Saudade aperta. Dói. É quase um luto a ser elaborado. A infância ficou lá atrás e hoje você também pode ser feliz.

Mariana Anconi

2 thoughts on “Nostalgia

  1. Oi Mariana, achei uma delícia esse texto. Foi Flávia Lage q me indicou seu blog, tenho lidos os posts e realmente estou gostando =)

    O fundo musical é lindissímo, doce q só ele !

    Parabéns !

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