Sonho ou alucinação?

Sonhar é para poucos! Digo isso porque muitos são os que sonham, mas ao acordar não lembram de nada. Nadinha! Já eu, posso afirmar que lembro QUASE sempre dos meus sonhos. Loucos, sem nexo, paradoxais, calmos, tristes, alegres. Não importa o conteúdo, QUASE sempre lembro.

Tem aqueles em que você não quer acordar, que são maravilhosos… Outros nem tanto, são tão pesados que ao acordar você fica meio confuso. Ahhh, os sonhos deixam a gente completamente perdidos, sem saber o que é realidade e o que não é, até o abrir dos olhos. É como se fosse uma alucinação, só que em algum momento voltamos a realidade. Diferente dos psicóticos que alucinam e perdem a noção de realidade.

Para a Psicanálise os sonhos têm seu valor. Na verdade, essa área do saber foi inaugurada por Freud com o livro “A interpretação dos Sonhos” de 1900. Diferente do que muita gente pensa, esse livro não é um manual de como interpretar sonhos. Freud nos ensina que o sonho não aparece como um recado que quer dizer algo ao sujeito, mas que tem muito a ver com sua história, por mais absurdo que o sonho pareça. Freud neste livro aprofunda sobre seu conceito-chave – o inconsciente.

No sonho podemos juntar conteúdos do inconsciente com “restos diurnos”. Realizamos processos de deslocamento e condensação, e é por isso que quando sonhamos podemos ser tão paradoxais. Tipo, uma pessoa pode ser duas, podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo, pode ser dia e noite, fazemos coisas absurdas, que no sonho parecem ser muito naturais.

 

Sonhar que está prestes a morrer não é muito agradável! Compartilho um sonho meu com vocês…

“Estou num avião, indo ou voltando para algum lugar, não sei ao certo. O avião está cheio de gente, adultos e crianças, mas acho que não conheço ninguém. Me sinto só. De repente, devido as condições climáticas (muito vento) o avião começa a rodopiar, girar no ar. Sem rumo, sem controle. O piloto perde conexão com a torre de comando, ficamos sem contato. Por algum motivo, começa a ventar muito dentro do avião também, como se estivesse aberto, ou sei lá. Até que o motor pára, e o único destino que nos resta é o chão. Numa velocidade tremenda, o avião vai descendo, inclinando-se cada vez mais. O coração acelera, as mãos agarradas na poltrona, não há máscara de oxigênio que resolva, não há tempo para pensar, nem rezar, nem nada. Um sentimento de impotência invade. O que fazer? Então é isso? A vida acaba aqui? Olho para o lado, o mesmo sentimento invade as pessoas ao lado, desespero, impotência, incredulidade, vazio. Todos esse sentimentos se juntam ganhando força. O avião vai se aproximando do chão, e na hora de encostar no solo, acordo! Suando, nervosa, meio desesperada. O que aconteceu? Sento na cama, me organizo mentalmente. Que sonho de merda!”

Segundo Freud, o sonho é a realização de um desejo inconsciente. É mais do que isso, é um processo criativo, que ao acordarmos perdermos/esquecemos grande parte de seu conteúdo. Gosto de pensar no sonho como um filme, onde somos espectadores e não diretores, porque não temos muito controle sobre ele. Os pesadelos muitas vezes se tornam angustiantes e quantas vezes não acordamos no meio dele, assustados! Despertamos quando o conteúdo se torna muito “pesado” para nós.

Bom, tem gente que valoriza muito os sonhos, e prefere até anotar o conteúdo sonhado ao acordar. Muitas pessoas tem ideias criativas através de seus sonhos. E muitas vezes ele não significa nada de importante, aparentemente. Em análise, o paciente pode contar seus sonhos ao analista, de maneira que é possível fazer conexões com a realidade, mas só não espere que o analista interprete seu sonho ou lhe diga o que significa. Só quem está autorizado a fazer isso é o dono do sonho!

Sonhar é saudável, a mente agradece! A psique humana é tão complexa que precisamos simbolizar aquilo que vivemos na realidade, no nosso cotidiano, senão piramos mesmo! Como eu já disse, o psicótico sonha acordado, nós “neuróticos”, sonhamos dormindo, sem saber de fato de que se trata de um sonho, até o despertar.

Se alguém achar o tema deste post interessante, e quiser compartilhar um sonho, fique a vontade para enviar para o e-mail do blog!

Abraço!

MA

5 thoughts on “Sonho ou alucinação?

  1. Já que Freud disse…
    Espero mesmo que esses sonhos estranhos não sejam nenhum recado, senão eu deveria ter ido ao dentista há muito tempo! kkkkk
    Você sabe do que eu to falando, afinal, sonhamos muito com isso né? Estranho duas pessoas diferentes sonharem com as mesma coisa! Isso Freud explica? hahaha medo!
    Beijos!!! Parabéns pelo post, voltou com tudo!

    • Apesar do que muitos pensam, Freud não explica tudo!
      Há muita loucura por aí que não é para sr explicada, apenas vivida, talvez esse sonho do qual compartilhamos seja apenas mais uma delas!
      O importante é sonhar…

      Beijos sis ;*

  2. Mari, preciso confessar que raramente lembro dos meus sonhos, posso dizer que devo lembrar só daqueles sonhos de quando acordo e fico mais um pouco na cama. Acho muito sem graça não lembrar…
    Há alguma explicação pra isso?
    Beijos

    • Oi Flá,

      Bom, os sonhos são manifestações do inconsciente, acontece que quando acordamos ao passarmos esses conteúdos para a consciência perdemos grande parte dele, então é normal não nos lembrarmos de todos os sonhos. As vezes, os conteúdos são tão “fortes” que temos ainda mais dificuldade, isso porque eles passam ainda pelo processo de condensação e deslocamento que transformam os conteúdos “fortes” em algo mais leve para a consciência. O que quero dizer é que, não há uma regra de que de deva lembrar dos sonhos, porque o normal mesmo é esquecê-los ao acordar, por isso tem gente que anota assim que acorda. Pois os pensamentos que virão da consciência acabam se sobrepondo, tipo: preciso ir trabalhar, fazer uma prova, uma reunião, etc.
      O inconsciente é assim mesmo, quando menos esperamos ele aparece, surpreendendo. Sugiro que não se preocupe com isso, uma hora você vai levar um sonho enigmático para a análise!

      Beijos!

  3. Olá Mariana,
    Seu sonho do avião me lembra um que tenho de maneira recorrente, só que as vezes com algumas mudanças.
    O enredo ao invés do ar é no mar, num barco. Na última vez, eu tentava controlar o Timão e não conseguia. O barco estava num redemoinho, aparecia meu pai pra ajudar, mas não dava certo. O barco ficava girando, girando, girando….. Bem, perdia o controle e isso me angustiava.

    Interessante Gabi tbm ter esses sonhos que vc uma vez me contou. Lembrei de uma coisa, durante a gravidez ocorre o fenômeno da fragilidade dentária, se pensava que era por causa da perda de calcio, parece que atualmente tem pesquisas que comprovam a mudança da saliva como o principal causador dessa fragilidade dentária.

    Enfim, só o sonhador sabe o significado.
    Beijo

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