Che vuoi?

Hoje escrevo sobre um livro que terminei de ler algumas semanas atrás, trata-se de “A mulher de vermelho e branco” do psicanalista Contardo Calligaris. Para iniciar, um video para despertar mais a curiosidade de vocês…rsrs

Carlo Antonini, psicanalista, dividido entre duas cidades – São Paulo e Nova York. Bem formado, conhecido por muitos de sua área, preenche sua agenda com aulas, palestras, viagens a trabalho, filhos, amigos, amores mal resolvidos e, claro, seus pacientes.

Nesta trama, divide seus dias de férias com duas mulheres muito intrigantes. Uma é sua paciente a outra, um amor dos tempos da adolescência em Paris. Separo aqui algumas linhas para tentar descrever primeiramente, Woody Luz, a paciente.

Mulher misteriosa, chega ao consultório de Carlo decidida a fazer análise com este homem tão prestigiado por ela. Aos poucos vai deixando seu analista e o leitor cheios de questionamentos a respeito de sua personalidade (estrutura clínica). Chegamos a pensar: seria uma psicótica ou uma histérica grave? Nada de respostas, até então. Vermelho e branco, as cores respondem por si só.

A outra mulher que não se veste de vermelho e branco, mas sim, de um jeito bem despojado e simples, acaba envolvendo novamente o analista e o leitor em uma aventura pela cidade de São Paulo. Direta, objetiva, vingativa. Disposta a vencer todos os obstáculos para atingir seu principal objetivo, e para isto, conta com a ajuda de Carlo. LeeLee, apelido dado a ela quando jovem, nos mostra que mulher e fragilidade não são sinônimos.

Calligaris através de uma narrativa envolvente, clara e inteligente passeia por diversos temas como educação dos filhos, pedofilia, questões étnicas e éticas, psicanálise, feminilidade, guerra do Vietnã e até o sub-mundo do Drive-in! Os diálogos são enigmáticos e deixam muitas coisas “no ar”, sem muitas respostas, apenas muitas perguntas…

As férias no Brasil que eram para ser tranquilas e proveitosas com os amigos são transformadas por estas duas mulheres em pura investigação policial e muita psicanálise. Um prato cheio para um protagonista que não dispensa uma aventura, ainda mais quando o leva de volta as lembranças da juventude em Paris…

O que quer uma mulher? Che Vuoi? Pergunta já feita inúmeras vezes (inclusive por Freud) me vem a mente ao mergulhar na história de cada personagem. Uma delas aparentemente deseja o casamento feliz, já a outra deseja a vingança. Para além disso, o desejo de ser reconhecido pelo outro está em ambas. Neste caso, Carlo autoriza que estas sejam donas de sua própria história.

“Qual seria o equilíbrio correto entre o mundo lá fora e a aparente calma do consultório? De qualquer forma, pensei, concordo com a LeeLee do sonho: eu mesmo não confiaria num analista que circulasse só nos porões da mente, e não nos da vida.”

Fico por aqui…beijos!

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