Autismo: Reflexões…

O fato é o seguinte, mês de Agosto passou [voando] e setembro chegou da melhor maneira possível. Nas últimas semanas passei por uma correria intensa [viagem, estudos, novos projetos, etc.] e agora parece que vou ter um tempinho para voltar a me dedicar ao blog!

No final de Agosto, participei de um Congresso maravilhoso: Congresso Internacional sobre Autismo, que ocorreu em Curitiba. Como foi válido participar de tal evento, por vários motivos. Primeiro que foi em Curitiba, cidade pela qual me encantei [apesar das baixíssimas temperaturas], pena que não tive muito tempo para um momento turístico, pois o congresso era praticamente o dia todo. Segundo, minhas companheiras de viagem, que tornaram tudo ainda mais especial. Terceiro, o tema do congresso é tão rico e complexo que saímos de lá com o desejo provocado pelo profissionais que se encarregaram de transmitir conteúdos riquíssimos.

Pude observar o quanto que, nós, da área Psi temos investido em pesquisas e estudos sobre Autismo, ainda não é o suficiente, podemos melhorar, e acredito que eventos como este, tem tal propósito também: incentivar mais pesquisas.

O Autismo, para quem não tem muita leitura sobre o tema, trata-se de um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID) que possui ainda uma etiologia tão obscura quanto a certeza de uma cura. É ocasionado por um conjunto de fatores que não se limitam em questões genéticas, ambientais, emocionais, psicológicas, etc. Mas isso não quer dizer que não há possibilidades, pois há!

A criança autista gera muita angústia aos pais, pois ela não oferece aquilo que mais procuramos nos outros, o olhar. Seu olhar é vazio, sem foco, perdido no espaço. Tais crianças não apresentam interesse em pessoas, mas sim, em objetos, e podem deter-se horas a fio mexendo em um cadarço de tênis, por exemplo. Elas não brincam, e quando falo em brincar, refiro-me ao brincar que produz um efeito simbólico em sua estruturação psíquica. Elas manuseiam objetos, mas não brincam, e isso confunde muito os pais.

Tal transtorno pode ter diversas leituras pelos profissionais da saúde. Nós, da Psicanálise, nos detemos naquilo que tange constituição psíquica da criança, até se tornar, um sujeito desejante. Acreditamos que a detecção e intervenção precoce se fazem imprescindíveis para um tratamento eficaz.

Atualmente, dispomos de metodologias já avaliadas e validadas para uma detecção precoce e muitas pesquisas estão sendo incentivadas a partir de tais metodologias. Inclusive, este semestre estou tendo a alegria de participar de uma pesquisa que tem como objetivo principal promover a saúde mental de crianças, com base em uma intervenção precoce.

Quanto as possibilidades de tratamento, quando já instalado o autismo, o congresso apresentou caminhos utilizados por profissionais experientes e que confirmam o quanto que neste transtorno, a APOSTA em um sujeito na criança é sem dúvidas a mola propulsora do tratamento.

O “manhês” foi um termo muito explorado nas mesas de debate, e cada vez mais, tem mostrado o quanto que esta fala prosódica [geralmente] realizada pela mãe para seu bebê tem efeitos psíquicos importantes. Trata-se de uma fala repleta de melodia, com uma entonação diferenciada, que capta a atenção do bebê, convocando-o as demandas maternas. O bebê autista não está capturado pelo manhês, o que o torna alheio as investidas da mãe. Trabalho árduo para o psicanalista…

O Autismo nos convoca para uma reflexão, não apenas para seus sintomas e efeitos nas crianças, mas o que ele provoca nos pais, nos profissionais e no social. As escolas hoje se intitulam “inclusivas”, mas o que será inclusivas para algumas? Jogar a criança na sala de aula junto com as outras ditas “normais” e esperar um milagre? Incluir é respeitar as diferenças, e muitos [não todos] não estão preparados para isto. Esta tem sido outra reflexão pertinente e que não se esgota aqui, apenas começa.

Quem se interessar mais sobre o tema, pois falei de modo muito amplo e focado na Psicanálise pode enviar um e-mail solicitando textos e sites sobre o assunto. Fica aqui apenas uma reflexão…

Abraço!

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