Intervenções do analista com crianças

A propósito do analista, qual é a sua função? E a qual é a função da brincadeira na cena analítica? O analista situado no contexto da análise de crianças permeia por um caminho muito sutil, onde muitas vezes, marcas ainda podem ser inscritas no psiquismo. Contudo, sua função precisa estar muito bem definida para que não caia em armadilhas muito atraentes.

Um dos pontos cruciais é dar lugar a possibilidade de diferenciação entre a fantasia parental quanto ao filho, como se constituiu enquanto filho imaginário para eles, e a leitura que a criança pôde fazer disto ou não. Pois, somente a criança poderá apropriar-se de um sintoma, através da entrada na neurose de transferência: produzir um sintoma para o analista, desta vez. (BERNARDINO, 1997)

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Se prestarmos atenção aos sintomas pelos quais atendemos a criança e que, como vocês sabem, vocês o repetem com muita frequência, são sintomas que são geralmente falhas de capacidade, e que têm a ver com a escola ou com o comportamento. Será que podemos sustentar que são realmente sintomas neuróticos, ou será que devemos pensar no que se instituiria na relação desses grandes Outros reais que constituem os pais, que se refeririam muito mais a eles as marcas do que podemos chamar de uma neurose atual? (MELMAN, 1997, p 19)

O brincar em análise não necessariamente vai estar presente, há de se pensar na pluralidade de técnicas e teorias neste campo, contudo, na vertente deste artigo, as intervenções do analista operam diante da produção da criança, sustentando o lugar da imprevisível criação.

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Outro ponto crucial referente às intervenções do analista situa-se no lugar de sustentar a brecha, a descontinuidade, as idas e vindas sobre a borda, no jogo de oposição dos significantes, nos quais a criança pode, a partir da transferência com o psicanalista, jogar o jogo de relançar seu desejo. Trata, ao operar com os enigmas, com as cifras, a fim de possibilitar a migalha de liberdade, a migalha de criação do sujeito em meio a sobredeterminação que o fixa e empurra para a repetição. Pode passar assim do chafurdar no gozo a um saber fazer ali com isso. (JERUSALINSKY, 2011)

Portanto, deve-se saber que quando o brincar se desenrola na cena clínica, o analista não é um observador externo. Ele, pela transferência, faz parte da estrutura do paciente e, portanto, está tomado como parte integrante da cena no brincar. Intervém aí permitindo que se relance o brincar pelo qual se jogam as possibilidades de resposta desse sujeito em constituição.

Mariana Anconi

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