Domingo cultural!

Oláaaa…

Quem disse que domingo é o dia da preguiça, não sabe aproveitar o resto do final de semana! Realmente, domingo geralmente é aquele dia em que para a maioria das pessoas não ter nada pra fazer é a melhor coisa a se fazer…

MASP ao fundo

Esse domingo resolvi fazer algo diferente, arrastei minha querida irmã e…Finalmente fomos conhecer o MASP (Museu de Arte de SP) e valeu a pena! Primeiro, o que chama a atenção é a arquitetura do museu, bem diferente, e outra coisa, a feirinha de objetos antigos que fica embaixo! São vários objetos antigos, desde artigos de decoração até moedas e cédulas para colecionadores.

Ok, mas vamos ao que interessa. Conheci os dois andares do museu, o primeiro é composto por um acervo de gravuras (1910 – 2008), cada uma mais curiosa que a outra:

1. Composição em vermelho e preto - Arthur Piza/ 2. Espaços virtuais: cantos - Cildo Meireles/ 3. Lindonéia - a Gioconda dos suburbios - Rubens Gerchman

No andar de cima (2º andar) econtramos obras de tirar o fôlego. Claro que isso é muito particular. No meu caso, confesso que meu olhar durou um pouco mais nas obras de Van Gogh, Monet e Salvador Dali (especialmente Van Gogh!).

1. A canoa sobre Epté - Claude Monet/ 2. O escolar - Van Gogh/ 3. Passeio ao crepúsculo - Van Gogh/ 4. Cavaleiro - Salvador Dali

O que a arte nos propõe é um tanto intrigante. Poder adentrar um salão repleto de quadros “olhando” pra você, esperando serem vistos também, pode ser meio estranho. Até o momento em que você se sente a vontade o suficiente para circular e apreciar cada obra. A sensação é de que se você não olhar todas, vai perder alguma espetacular!

Estar de frente com o quadro de algum artista que você admira é ter a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre ele, ou até a mesmo a maneira dele pensar. Ou então saber mais sobre o momento de sua vida.

A arte nos faz um convite, um tanto enigmático até. Não se trata apenas de apreciar cada quadro ou escultura, mas ir além, e pensar o que aquela obra te inspira ou transmite para você. Pra mim, a arte é uma das maneiras mais sensíveis de transmitir algo sobre o artista, ou mesmo, sobre o contexto histórico.

A arte pra mim é: subjetividade, inconsciente e sublimação!

As obras que coloquei acima podem ser vistas no museu. Quem por acaso estiver em sampa e gostar de programas culturais, está dada a dica!

Abraços!!

>Freud, pintor?

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Calma! Não é bem isso, na verdade, falo aqui do neto de Sigmund Freud, Lucian.
Estava eu folheando um livrinho de artes “The Art Book – Phaidon” e encontro a obra de um artista com sobrenome Freud.
Neto do fundador da psicanálise, Lucian Freud nasceu em Berlim, em 1922. Sua família migrou para a Grã-Bretanha em 1934, e ele se naturalizou inglês em 1939, o mesmo ano da morte do avô Sigmund. Começou a estudar artes bastante jovem, mas foi o encontro com Francis Bacon, em 1945, que libertou a sua pintura das convenções que a dominavam”. – Folha Online (16/03/2010)


“Working at night” de 2005
“Reflection with two children (Self-Portrait)” de 1985.

“Girl with the white dog” de 1951.
Sobre esta terceira pintura, o livro que citei acima informa que esta mulher é a primeira esposa de Lucian acompanhada por um “english bull terrier” reclinados no sofá. Existe quase um clima de cumplicidade entre o cachorro e a mulher, enquanto eles nos encaram com uma calma mas de forma intensa. As pinturas de Lucian Freud cativam o observador levando-o a uma cena de intimidade física…
“Os modelos surgem em total entrega ao pintor, tombados em camas ou no chão, gordos, estranhos, desidealizados, dessublimados. As pinceladas firmes e densas acentuam os estragos feitos no corpo pelo tempo e pelo uso. “Eu trabalho a pintura para que ela seja igual à carne”, disse o pintor.”
“É como se, para Freud, a carne fosse o último tema da pintura figurativa, a expressão derradeira do controvertido naturalismo do artista, sobre o qual o próprio amigo Francis Bacon emitiu um dos juízos mais severos: “O problema com a obra de Lucian é que ela é realista sem ser real”.
Bom, pra quem não conhecia este artista fica a dica para se pesquisar mais sobre suas pinturas…!
Mariana Anconi

>Sobreviver ao imediatismo … é preciso!

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Como as práticas psicoterápicas e psicanalíticas sobrevivem ao imediatismo atual? Essa é uma pergunta da qual me fiz muitas vezes desde quando iniciei a graduação em Psicologia. E agora que me encontro na etapa final, tento vislumbrar algumas reflexões a respeito…

É notável o quanto temos a impressão de que o tempo está passando mais rápido do que nunca, que os meses estão correndo, que os anos estão voando! Mas por que isso? E antes, o tempo passava devagar? Por que temos essa impressão, afinal?
Bom, hoje eu estou me comunicando com vocês via esse site na internet, que me conecta ao mesmo tempo com pessoas do mundo todo, e isso realmente é fantástico! Esse é só um exemplo trivial do processo de modernização que sofremos a cada dia. Além desse recurso que citei, podemos contar com inúmeras “engenhocas” que facilitam (ou dizem que facilitam) nossas vidas como: celulares, notebooks, pagers, etc, etc… Ah! e não posso esquecer dos mais atuais: twitter, facebook, orkut, e por aí vai (a lista é grande mesmo). Todas essas ferramentas ocupam nosso tempo demais! Já contou quantas vezes você perdeu a noção do tempo na frente do computador, no MSN, por exemplo? Não há tempo que passe devagar assim…
OK, mas o ponto em que quero é chegar é que, vivemos a era da INFORMAÇÃO. Temos informações nos bombardeando a toda hora, de todos os lados!!! O conhecimento está mais acessível, isso é fato. Como consequência, temos uma vida de correria, sem tempo pra nada, onde se quer tudo ao mesmo tempo, onde se quer as respostas imediatas para todas as mazelas do ser humano, e isso é compartilhado por diversos leitores aqui, acredito eu. Logo, fica a questão: Como fica a Psicanálise nesse momento onde o tempo é curto e as respostas são para agora? Esse imediatismo ao qual estamos mergulhados nos gera de certa forma uma alienação enquanto sujeitos? Me pergunto isso porque vejo hoje, muitas psicoterapias que trabalham em prol de uma promessa de cura para os sintomas em tempo record, mas que na verdade mais “jogam pra debaixo do tapete” do que ajudam o sujeito… 
Contudo, por mais que o a sociedade exija das psicoterapias e das análises esse feedback imediato, ainda há esperança para aqueles que querem ir muito além dos padrões de sujeito que a cultura impõe, ou seja, para aqueles que buscam uma dessubjetivação (que é o que uma análise proporciona quando chega a seu fim). E quando digo, aqueles, é porque não são todos que estão dispostos a adentrar esse caminho difícil, pois resistências não vão faltar!! 
A análise demanda tempo, investimento, desejo e tudo que diz respeito ao sujeito do inconsciente. Me refiro a um sujeito dividido, castrado, marcado pela falta, que em seu discurso não diz A verdade, mas sabe que através de seus não-ditos expressa sua experiência singular. E que no final, vale muito a pena sair do papel de herói (gozo).
Enfim, para aqueles que realmente se encontram reféns do imediatismo, não adianta procurar respostas prontas em uma análise, a frustração se instalará mesmo. Mas deixo aqui o questionamento: Do que adianta tentar encontrar respostas a curto prazo, se na verdade, essa resposta, essa busca por algo (objeto a), nunca cessará? É que na verdade, o percurso vai nos mostrando isso, logo, se for um percurso curto e breve, perdemos a chance de entender que a falta é estrutural….

**Para ilustrar o post de hoje, utilizei imagens da arte Surrealista. Procurei a definição no dicionário sobre este tipo de arte e encontrei:
“Movimento artístico e literário, de origem francesa, que busca um automatismo puro, capaz de dar liberdade às emoções subconscientes sem controle da consciência ou da razão”. Dic. Ruth Rocha
Pra mim, a liberdade se relaciona muito com a Psicanálise, por diversas questões, mas também porque faz questionar o que parece óbvio e visível aos olhos leigos.
Fico por aqui, até mais!
Mariana Anconi

>O bArROCo

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Encontrar assunto para falar de Psicanálise não é difícil, haja vista sua relação íntima com a cultura. Recebi um e-mail de divulgação de uma revista de Psicanálise, e dentre os diversos artigos, encontrei um que inclusive já tive a oportunidade de assistir a uma aula do autor na minha faculdade (Alexandre Fernandes Corrêa). Ele escreveu um artigo tão interessante que resolvi falar do tema aqui: o barroco. Mas o barroco nas suas mais diversas manifestações, como a música, pintura, escultura, arquitetura, etc, etc, etc. E claro, pretendo fazer um link com a Psicanálise!
Quando se faz uma busca pelo termo “barroco” logo nos deparamos com um conceito que trás em seu cerne a representação de algo que é irregular, significando “pérola imperfeita”. Desde sua conceituação o barroco possui um cunho quase que negativo. Se buscarmos o contexto histórico ao qual ele surgiu, entende-se o porquê de tantas críticas, que chegavam até a nem considerar o barroco como arte! Suas formas irregulares, imperfeitas, a maneira exagerada de exaltar os pecados do homem, faziam com que a sociedade que vinha do período renascentista repugnasse tal expressão.
O artigo de Alexandre Correa – “O labirinto dos significantes na cultura barroca”, contextualiza de forma brilhante o período que o barroco surgiu também na América Latina e a forma como ele se espalhou pelo mundo “Sua missão central parece ser dar à vista uma consciência da idéia de movimento. Só assim podem-se compreender as dimensões geográficas pelas quais se espalhou e se difundiu no planeta”.

O que me remete à Psicanálise ao falar de barroco? Bom, citei algumas características desta arte e suas peculiaridades, e com elas posso pensar na maneira como se desenvolve a teoria psicanalítica. A arte barroca busca em suas obras o movimento, o movimento que afirma a vida, a transitoriedade. Freud escreveu um pequeno texto intitulado “A transitoriedade”, onde diz que o que está vivo se mexe, e é o contraste que aguça a percepção. Outro ponto que destaco é o modo confuso e os paradoxos contidos nesta arte que nos levam a pensar no inconsciente. Mais uma vez dou o exemplo dos sonhos, onde as vezes numa mesma cena somos velhos e crianças, uma pessoa e outra, pode ser dia e noite, enfim, o mundo do possível é esse! Os atos falhos também são exemplos de algo que nos divide, nos confunde, que consiste em dizer algo, sendo que, na verdade pretendíamos falar outra coisa.
Denise Maurano em seu livro – Para que serve a Psicanálise? pontua que “na arte barroca, trata-se de situar o infinito do ser na dimensão finita da natureza e do humano”. Pensando assim na questão da dessubjetivação como o que “viria paradoxalmente designar a subjetividade barroca”. Denise ainda inclui a questão do fim de análise em relação a essa dessubjetivação.
Estudar o barroco ou mesmo a arte em si é ter acesso a subjetividade de um artista, de um contexto, de uma sociedade…por isso talvez “seja mais fácil entender a psicanálise pela arte do que pela ciência tradicional”…

Mariana Aconi

>Van Gogh e a influência de seu estado psicológico em suas obras

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Van Gogh foi um artista que sempre me chamou atenção, tanto por sua arte pós-impressionista, mas também pela forma como ele utilizava as cores vivas em sua tela. Nascido na Holanda em 1854, viveu a maior parte da sua vida na França. Quem observa suas obras fica intrigado com a quantidade de movimentos e cores que expressava. Talvez o que me atrai também seja a vida pessoal deste artista, marcada por uma mudança brusca de comportamento, e isto influenciou muito em suas obras. A obra acima é a “Noite Estrelada” de 1888. Nesta fase de sua vida, Van Gogh já encontrava-se num estado mais agressivo, com ataques violentos, abandonando assim a técnica de pontilhados e adotando curvas em espiral. Fase também que cortou sua orelha.
Suas obras são fantásticas, no entanto, o artista vendeu apenas uma tela durante toda sua vida, que foi a “Vida Encarnada”. Quem diria que este seria um dos maiores artistas impressionistas que o mundo já viu? Ironias da humanidade…
Esta obra acima é denominada “Girassóis”. No fim de sua vida, Van Gogh escreve para o irmão: “Eu pinto como um meio de tornar a vida suportável. Na realidade, nós só conseguimos falar através de nossas pinturas”. Morreu em 1890 devidos aos ferimentos causados por um tiro que deu em si mesmo.