Lançamento do livro: Psicanálise e ações de prevenção na primeira infância

Olá pessoal,

Ontem aconteceu o lançamento do livro “Psicanálise e ações de prevenção na primeira infância” organizado por Maria Cristina M. Kupfer, Leda Mariza F. Bernardino e Rosa Maria M. Mariotto na Livraria Pulsional. O livro é uma compilação de artigos produzidos por diversos autores, o que torna a leitura ainda mais interessante, pelos diversos temas e estilos de escrita. Continuar a ler

Movimentar é preciso

Diante dos últimos fatos ocorridos no circuito psicanálise e saúde pública, senti-me convocada a exercer a escrita mais uma vez, numa tentativa (quem sabe) de elaborar tudo que foi absorvido durante o evento que ocorreu na Universidade de São Paulo, este final de semana (22, 23 e 24 de março de 2013), reunindo mais de 200 psicanalistas engajados no trabalho clínico com pessoas com autismo.

Tais fatos ocorridos, mencionados acima, referem-se as demissões em massa que vêm ocorrendo descaradamente nos serviços de saúde pública do estado de São Paulo. A saber, o último que tivemos notícia foi no CAPS Itapeva (diga-se de passagem, primeiro CAPS do Brasil) que tem em sua equipe multidisciplinar psiquiatras, psicólogos, psicanalistas, etc. E anterior a isso, o “quase” fechamento do CRIA (Centro de Referência da Infância e Adolescência) vinculado a UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), sob a justificativa de que tal instituição não adotava métodos científicos em seus tratamentos, instituição esta composta por uma equipe com orientação teórica em psicanálise.

O fato é que, o clima de ameaça instalou-se entre os profissionais que utilizam-se da metodologia psicanalítica em suas práticas, e de repetente, me vejo de volta ao início do século XX, onde outras metodologias da saúde decidem extinguir e pulverizar a peste (lê-se psicanálise). Façamos uma pergunta: O que é ciência? Sim, me pergunto, porque se uma metodologia que está presente nas pesquisas financiadas por grandes universidades do país, que apresenta respostas e avanços nos tratamentos, que baseia-se em dados clínicos, não for uma ciência, o que mais pode ser? O que estamos fazendo nas universidades, pesquisando e publicando artigos CIENTÍFICOS? Nada?

Após todos esse acontecimentos, profissionais psicanalistas que atendem pessoas com autismo (médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, etc) tocados pelos absurdos na saúde pública reuniram-se no intuito de pensar e organizar um movimento que, mais do que tudo, defende a ideia da diversidade de metodologias e práticas na ciência. Mais ainda, defende o direito que os pais, por exemplo, tem em escolher o tipo de tratamento para seus filhos. Isso, claro, sem ser através um discurso persecutório, ou de denuncia de outras práticas, mas sim, um discurso que visa divulgarmos cada vez mais nosso trabalho (me incluo neste movimento) quebrando ideias e preconceitos desenvolvidos erroneamente, talvez por uma má interpretação teórica (pagamos caro por isso).

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Outro ponto importante ao qual o movimento está a favor, trata-se da possibilidade de diálogo entre ciências, diante de um diagnóstico. Em relação ao autismo por exemplo, não defende-se a ideia de que seja uma causa unicamente psíquica, mas que há também uma base orgânica envolvida. Em resumo, não se trata de radicalismos ou exclusão das outras ciências, o que reivindica-se aqui, é o diálogo aberto entre profissionais, numa proposta de equipe interdisciplinar, onde  há a construção de novos saberes nas fronteiras. Isso é olhar mais para o paciente, e menos para o próprio umbigo.

Como diz o nome (Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública) é mesmo para movimentar, dar voz aos profissionais que defendem um trabalho com ética e na ética da psicanálise: a do sujeito. Tudo está sendo construído e pautado no desejo mesmo de cada profissional, desejo este que move para além das barreiras. Momento único este, pois trabalhamos com a escuta, e agora precisamos ser escutados.

Mariana Anconi

V Congresso Internacional de Convergência

CONVOCATÓRIA – retirado do site (www.congressoconvergencia.com)

O ATO PSICANALÍTICO: Suas incidências clínicas, políticas e sociais.

A Psicanálise é uma prática discursiva cujos efeitos podem ser observados na clínica e também na vida cotidiana há mais de um século. Suas posições inovadoras, mesmo subversivas, sempre foram objeto de discussão dentro e fora das instituições psicanalíticas. As incidências do trabalho com o inconsciente mostram que a escuta do sintoma é possível considerando que este é sinal do sujeito e não manifestação de doença. Ora, nestes tempos de exigência de gozo imediato e de discursos fundamentalistas, face ao inevitável mal-estar na cultura, um tratamento que não ofereça cura milagrosa ou consolo permanente coloca-se como referência ética de que os atos de palavra são transformadores.

As associações e os psicanalistas reunidos em Convergencia – movimento lacaniano para a psicanálise freudiana – consideram que as articulações entre o sujeito e sua polis são indissociáveis; pois o psicanalista é permeável aos discursos e, para que a psicanálise possa avançar em sua prática e teoria, faz-se necessário um exame permanente das consequências de seus atos.

No V Congresso Internacional de Convergencia que acontece em Porto Alegre, teremos oportunidade de renovar esta aposta. Um momento de encontro e debate sobre os efeitos do ato psicanalítico na clínica das neuroses, das psicoses e das perversões. Acontecimento onde os psicanalistas podem dar conta da sustentação de seu ato nos mais diversos âmbitos – consultórios, ambulatórios, hospitais e outros cujo lugar de reunião é uma oportunidade para compartilhar a experiência. Além disto, temos espaço para verificar os efeitos do ato no social, a experiência do encontro do discurso psicanalítico com as políticas públicas, sejam elas educacionais, culturais, ou de saúde mental.

Um significante lançado ao mundo não é mais individual, afirmava Jacques Lacan em diversos momentos ao retomar o legado de Freud. Cada analista tem responsabilidade com a psicanálise ao sustentar em sua escuta os desdobramentos do fantasma na atualidade. Ao mesmo tempo, interrogar a política dos enlaces no campo psicanalítico faz parte de sua formação. Além disto, a transmissão do discurso psicanalítico está aberta às incidências do ato criativo, fazendo eco à potencia do discurso em seu esburacamento do real.

Convidamos a participar deste evento, no qual psicanalistas de diferentes línguas, formações e transferências estão dispostos ao diálogo e a relançar o ato inaugural que nos faz sustentar o que é a psicanálise.

 

O convite está feito! Será um evento interessante, encontro vocês lá!

 

 

Buenos Aires: Impressões

Ahh, viajar… respirar novos ares, conhecer outra cultura, vivenciar novas experiências, falar outra língua, trocar conhecimentos…São alguns dos benefícios que se tem ao visitar outro país. Tive a chance de experimentar isso tudo semana passada na tão bela CABA (Ciudad Autonoma de Buenos Aires).

Logo ao chegar, milhões de impressões invadiram meus pensamentos. Ao sair do Aeroparque, em direção ao hotel, onde eu ficaria hospedada esses poucos dias (5 dias), já fui tirando fotos dentro do taxi! Logo pude contemplar o rio La Plata, que fica ao lado do aeroporto. Fui tirando foto de coisas que me chamaram atenção e que com certeza fariam parte do panorama que eu estava por construir de Buenos Aires. Estas foram as primeiras fotos que tirei ao chegar, já denunciando os contrastes que esta cidade possui, e que nós brasileiros sabemos bem o que é isso.

Nem tudo é só glamour…

Mais adiante, paisagens mais convidativas foram surgindo e a vontade de pular fora do taxi para ver tudo de mais perto me invadiu, aí veio aquela sensação agradável, de que muita coisa boa estava por vir. Encarnei o papel da turista mais curiosa.

Mas, antes de encarnar tal papel, eu ainda estava mais atenta com a apresentação que faria do meu trabalho no Congresso Internacional de Acompanhamento Terapêutico, já neste primeiro dia! Portanto, foi chegar no hotel, encontrar amigos, sair para almoçar e apresentar o trabalho.

Apresentei o trabalho sob o título “O não saber na formação e prática do Acompanhamento Terapêutico sob o viés da Psicanálise Lacaniana”. A mesa estava composta por outros profissionais da área, que também apresentaram seus trabalhos. Adorei poder apresentar este trabalho, não sei se tive sorte com as pessoas que assistiam, mas senti uma receptividade muito boa.

Buenos Aires é mais ou menos assim, te conquista pela arquitetura, pelas fachadas dos prédios, pelo estilo clássico, pelo tango tão explorado nos quatro cantos da cidade, pelo clima agradável, com céu azul, sol e brisa levemente gelada! O que propicia durante o dia a experimentar cervejas locais e a noite um bom vinho! Sem falar que não dá para evitar exageros em relação a duas coisas: as famosas empanadas e o alfajor!!! Comi tudo com a promessa de que ao chegar em SP me mudaria para academia! rsrsrs

Andei de taxi e metrô pela cidade, mas pelo metrô pude ter maior acesso a realidade deste lugar. O metrô deixou muito a desejar, muita sujeira, parecia que uma reforma ali nunca fora cogitada antes. Uma pena, algumas coisas pareciam tão largadas que em determinados momentos São Paulo não parecia mais um lugar tão ruim para se viver. A moeda local (peso argentino) está em desvantagem ao Real, no entanto, eles não aceitam em todos lugares, o dolar e o euro são, claro, muito bem vindos.

A música e a dança estão por todos os lados, artistas e músicos invadem a cidade e contagiam os turistas com suas melodias e e sensualidade na dança. O tango é sim um dos principais atrativos e eles demonstram muita paixão nisso.

Um passeio que recomendo é a visita ao Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires – MALBA que possui um acervo permanente de obras incríveis. É possível deixar-se hipnotizar pelas obras de Tarsila do Amaral, Diego Rivera, Frida Kahlo, Botero, etc. Destaco aqui a Abaporu (1928) de Tarsila do Amaral que chama atenção por suas cores vibrantes e forma exótica. Bem que eu gostaria que esta obra estivesse no Brasil…http://globalizar.wordpress.com/2011/09/01/malba-nega-venda-de-abaporu-ao-brasil/

MALBA

As livrarias são pontos fortes também de BA, El Ateneo contempla diversas obras e um espaço para café muito aconchegante. Vale a pena ir também. E claro, no ultimo dia que tive na cidade decidi bater perna na feira de San Telmo! Lá é o resumo de tudo que Buenos Aires oferece, bares, empandas, tango, arte, galerias, móveis restaurados, cerveja Quilmes, artistas de rua. De lá fui para a Florida (uma 25 de março melhorada) onde lojistas e camelôs dividem o espaço de uma rua comprida!

Cultura diferente, dona de monumentos fálicos (obelisco, p. ex.) que contempla uma mistura de ritmos musicais, com um povo patriota, que espelha-se em Eva Peron e Maradona e não perde o tom forte e duro na fala, que assusta um tanto no começo, mas depois percebe-se que é um jeito de se expressar, nada mais. Volto pra casa com saudade dos amigos que fiz e das tentativas engraçadas de falar castelhano…e com vontade de aprender mais!

Até a próxima!

Mariana Anconi