Curso sobre a Metodologia IRDI

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O curso sobre Metodologia IRDI ministrado pela psicóloga Mariana Anconi, que aconteceu no dia 09/11/13, contou com a participação de 60 profissionais da educação e da saúde discutindo e refletindo sobre as possibilidades de ação para a prevenção e promoção de saúde mental em instituições de ensino infantil.

Agradecemos a todos os pedagogos, psicólogos, psicopedagogos, assistentes sociais e enfermeiros presentes. Agradecemos ainda à SEMED (Secretaria Municipal de Educação) que estimulou a  participação dos seus servidores enviando um número expressivo de participantes e, consecutivamente, multiplicadores. Agradecemos, pela participação expressiva, à Casa da Criança e, também, às escolas COC, Maple Bear, Educator, Educare, Conviver e Upaon-Açu.

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FONTE: Site pleno.me

Estresse na gestação e as possíveis repercussões sobre o desenvolvimento do bebê

Olá pessoal,

Hoje apresento um texto que traz contribuições do campo da medicina, psicologia e psicanálise. Trata-se de uma reflexão do conceito de estresse e seus efeitos no bebê ainda no útero da mãe.  É um tema que não se esgota no que aqui está apresentado, e, nos faz abrir um campo de discussão amplo e importante para os estudos em intervenção precoce com bebês.

Boa leitura! Continuar a ler

Horizonte

Entre tantos passos, tropeços e quedas, pensou em desistir da caminhada. Com os pés calejados percorreu terrenos áridos, rumo a um horizonte perfeito e belo aos olhos. Desejo de alcançar o infinito e mais além. Não caminhava, corria. Não esperava, agia.  O tempo era traiçoeiro, não parava para novos fôlegos, então, porque ele havia de esperar também? Corria, como um menino que um dia atirou pedra na janela e fugia da culpa, mas sem nunca olhar para trás. Porque o passado ficou, e ele não, avançava rumo ao horizonte.

Sonhos, desejos, vontades, conquistas, ele queria tudo e muito mais. Mas só conseguiria se chegasse lá, no horizonte, que desde sempre admirava e almejava alcançar. “A vida aqui não vale a pena, lá serei feliz” – pensou. Correu deixando tudo para trás. Os pés pediam arrego, ele pedia mais, muito mais. Percorreu pedras, areia, água, lama, mato. Pulou córregos, atravessou pontes. Do ponto de partida, já não se via mais sua sombra, estava longe.

O inesperado. Mais que um tropeço, uma queda. Caiu. Parou. Mas o tempo, não. Olhou ao redor, olhou para si. Sem acreditar, estava no chão. Lembranças do que ficou para trás ocuparam a mente. Foi um sinal para voltar? Talvez. Vontade de voltar? Não. Com a mesma força com que bateu contra o chão, levantou. Olhou para cima, as estrelas eram testemunhas de sua odisseia. Estavam lá o tempo todo, acompanhando-o. Não precisava de mais nada. Brilhavam para ele, tinha certeza.

Ganhou impulso, recuperou a velocidade. Rumo ao horizonte, porque ele havia de alcançar. Dias, noites, meses, anos, o tempo não parava, nem ele. Um dia, como outro qualquer de sua jornada, precisou de água, debruçou-se no rio. De repente, viu que não estava sozinho. Tentou trocar algumas palavras, com aquele senhor. Todas em vão. Sem respostas, decidiu seguir viagem.

Mais dias e noites. O cansaço chegou acompanhado de uma boa dose de angustia. Não conseguia chegar perto do horizonte. Olhou para trás, viu outro horizonte tão lindo quanto. Estava no meio. Dividido. Sem um, nem outro. Caiu. Não como a queda de outrora. Uma queda mais brutal agora: Caiu em si. Cansado, passou a mão em seu rosto, como quem não sabe que direção tomar. Não reconheceu-se. Que face diferente era aquela? Resolveu voltar até aquele rio e conversar com aquele senhor que encontrou. Chegou até o rio, olhou para o fundo das águas, e o senhor apareceu.

Uma lágrima tocou a correnteza e o senhor se desconfigurou nas águas. Caminhou, caminhou, caminhou e esqueceu de si. O horizonte continuava lá, esplêndido e esperando por ele. Mas agora, ele queria viver, de verdade.

M.A.

Recarregando as energias…

Juro que não abandonei o blog!!

Declaro que ontem (16/12) entrei oficialmente de “férias”. Tá, não vou dizer que são férias mesmo, daquelas que você até desacostuma a escrever, que nem quando era no tempo da escola, lembram? Ahh…férias desse tipo acho que nunca mais.

Mas, finalmente vou ter tempo agora para fazer um balanço do ano. Acho interessante aproveitar essa “quebra” no ano para avaliar muita coisa do que se passou. Ano passado fiz uma lista com as metas para o ano de 2011, e olha, posso dizer que MUITA coisa aconteceu, mas não por uma questão de sorte ou acaso. Mas porque acho que trabalhei para que tais metas fossem alcançadas.

2011 com certeza foi um ano de mudanças e desafios! Mas ainda não quero fazer minha “retrospectiva” porque dezembro está na metade ainda. E sem falar que não pretendo ocupar vocês com as coisas que consegui ou não realizar, isso ia ser muito chato.

2012 já chegou se pensarmos bem. Pelo menos, tenho pensado muito nas coisas que vão ou podem acontecer, afinal de contas, sou daquele tipo de pessoa que se angustia um pouco com  o imprevisível, o desconhecido. Oras, quem planeja, tem tudo sob controle (doce ilusão) e está mais preparado para as eventuais adversidades…será??

Se pensarmos o Natal pela via do capitalismo, o meu já chegou! Presentes especiais já bateram a minha porta e REALMENTE preciso agradecer. Começo por aqui: Obrigada, mesmo.

E começo a contar os dias para reencontrar aqueles que me querem bem, aqueles que me conhecem tão melhor do que eu mesma e meus alguns anos de divã. Família. Já prestei uma homenagem aqui em um post anterior, mas não é o suficiente. As expectativas são grandes para este encontro. Imaginem a cena…

Natal, casa dos avós, mesa posta, abraços saudosos, declarações, agradecimentos. É esse clima que me deixa tão apaixonada pelo Natal e que me faz agradecer todos os dias a sorte que tenho em poder ter momentos assim, com pessoas de fato importantes para mim, que só de estar perto deles me sinto mais forte. Mas é isso mesmo, a família tem esse poder, recarrega nossas energias. Quem mora longe sabe bem!

Bom, semana que vem estarei embarcando nesse clima e acho que posso me inspirar um pouco. O que for válido, compartilho aqui, com vocês.

Um beijo

Mariana

Entrevista com Eric Kandel

Psiquiatria está em crise por falta de provas científicas

PRÊMIO NOBEL FALA SOBRE A DIFICULDADE DE FAZER DIAGNÓSTICOS OBJETIVOS DE TRANSTORNOS MENTAIS 

RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON

A psiquiatria está em crise, porque falta comprovação biológica para seus conceitos. Essa é a opinião do neurobiólogo Eric Kandel, 81, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2000.
O cientista, premiado por seus estudos com memória, desembarca nesta semana no Rio de Janeiro para participar do Congresso Brasileiro de Psiquiatria.
Em entrevista à Folha, Kandel condenou o uso de remédios como a ritalina (droga para tratar deficit de atenção) para melhorar a concentração de pessoas saudáveis.
Ele falou também sobre a validade da psicanálise, que pode cobrir lacunas da psiquiatria, caso adote padrões científicos mais rígidos. O pesquisador comenta também sobre sua nova invenção: um camundongo “esquizofrênico” para te star medicamentos.

Folha – Psiquiatras estão debatendo mudanças no manual de diagnósticos de transtornos mentais. Muitos acham que o livro não pode tentar ser muito objetivo. O que o sr. acha?
Eric Kandel – 
A preocupação com a objetividade foi introduzida há uns 20 anos quando houve uma tentativa de validar os critérios do manual para descrever transtornos. Isso foi extremamente importante para que diferentes psiquiatras pudessem dar o mesmo diagnóstico a um mesmo paciente.
Mas não houve muitos avanços desde então. Uma das razões para isso é que os psiquiatras não têm os chamados “marcadores biológicos” à disposição. Se você diagnostica diabetes ou hipertensão, pode usar medições objetivas, independentes. Não precisa se basear apenas naquilo que o paciente lhe conta. Nós, psiquiatras, ainda temos que recorrer à hi stória do paciente. Precisamos desesperadamente de bons marcadores biológicos. Sem isso, podemos publicar quantas edições quisermos do manual, que não chegaremos a lugar nenhum.

A esquizofrenia afeta capacidades mentais humanas. Como é possível usar um camundongo para estudá-la?
A esquizofrenia tem três classes de sintomas. Há os “positivos” -ilusões, alucinações e loucura-, os “negativos” -reclusão, isolamento social e falta de motivação- e os “cognitivos” -a dificuldade de organizar as ideias e trabalhar. É difícil criar um modelo para estudar os sintomas positivos em cobaias, mas podemos modelar os cognitivos e negativos.
Criamos um camundongo cujo corpo estriado [estrutura no núcleo do cérebro] produz em excesso uma proteína que os neurônios usam para captar o neurotransmissor dopamina. Essa é uma lesão genética que ocorre em parte dos pacientes com esquizofrenia. Depois, encontramos um medicamento que supera essa deficiência e a restaura ao normal. Achamos que isso poderá ser útil para tratamentos de depressão também.

O que o sr. acha de usar drogas, como a ritalina (receitada para deficit de atenção) para “turbinar” a inteligência, aumentando a concentração? 
Não acho que seja boa ideia para pessoas saudáveis. Esses remédios devem ser prescritos para pessoas com problemas cognitivos. Essa drogas não devem nunca ser vendidas sem receita. Não são vitaminas.

O sr. vem falar no Brasil, onde a psicanálise é relativamente bem aceita. Nos EUA, não é assim. Que papel o sr. vê para as ideias de Freud hoje?
Não vejo problema em ler Freud da mesma forma que lemos Nietzche, Dostoiévski ou Shakespeare -grandes pensadores que escreveram sobre a mente humana. Mas se você quer que a psicanálise seja uma terapia eficaz, é preciso ter estudos que mostrem resultado. É necessário explicar o que ocorre no cérebro. Isso seria trabalhoso, mas precisa ser feito.
O maior problema não é com Freud, mas com aqueles que o sucederam. Eles não desenvolveram uma tradição científica na psicanálise. O treinamento para psicanálise deveria mudar, de forma que uma parte das pessoas formadas se dedicasse exclusivamente à pesquisa.

Não existe hoje uma aceitação maior de que a mente descrita por Freud possui estruturas correlatas no cérebro?
Sim. O córtex pré-frontal está muito relacionado à moralidade e ao julgamento de valores, por exemplo. Uma lesão nessa região do cérebro pode tornar uma pessoa amoral, um psicopata. Mas acima disso, a ideia geral de Freud sobre processos mentais inconscientes é muito importante para nossas vidas. Boa parte de nossa atividade mental é inconsciente. Isso acabou se mostrando uma verdade universal.

O sr. passou a infância em Viena, quando Freud ainda vivia lá, sofrendo também a perseguição nazista. Isso o influenciou em sua maior aceitação à psicanálise?
Isso teve efeitos positivos e negativos em mim. De um lado, parte de minha vida era superar o transtorno do estresse pós-traumático, porque foi uma experiência terrível. Mas eu fui influenciado pela cultura de Viena, tinha muitos amigos cujos pais eram psicanalistas, e tinha interesse nisso.
Eu só desisti da psicanálise quando me apaixonei pela neurobiologia. E eu me interessei pelos mecanismos de armazenamento de memória, porque é um assunto central da psicanálise.

Palavras não dão conta

Cá estou eu pensando em um jeito de te explicar tudo que se passa aqui, comigo.

Já ensaiei, gesticulei, sonhei…e nada.

Parece que as palavras estão quase saindo pela minha boca, escorregando, deslizando. E quando penso que vão derramar até tocarem o chão… algo trava. Paralisa.

Essas palavras tão bem articuladas em minha mente, ao passarem pelo crivo do meu bom-senso, retraem-se.  Mais do que isso, perdem sentido. Como vou falar de algo que não faz sentido nem pra mim?

O que sinto é algo tão particular, tão meu, que, realmente, as palavras não dão conta. E por um momento penso em transformar o que sinto em ato, em ação, movimento. Tentativas.

É como se eu pudesse dizer-te em ato tudo que sinto. Como seria isso? Te puxar para perto e abraçar-te? Ou escalar teu corpo como uma montanha e ao final ter a sensação de objetivo alcançado? Não, o ato, me parece, não dar conta do que sinto também…

Se não te tenho por perto, formulo mil frases na cabeça, todas tão concretas que poderiam te machucar. Se te tenho aqui, me faltam as palavras. Só quero apenas sentir. Pra quê perder tempo falando coisas que já sabes, se no entanto, posso apenas sentir.

É, palavras não dão conta.

Fico com o sentimento,

quem sabe um dia

consigo transformá-lo em

palavra,

pra você.