V Congresso Internacional de Convergência

CONVOCATÓRIA – retirado do site (www.congressoconvergencia.com)

O ATO PSICANALÍTICO: Suas incidências clínicas, políticas e sociais.

A Psicanálise é uma prática discursiva cujos efeitos podem ser observados na clínica e também na vida cotidiana há mais de um século. Suas posições inovadoras, mesmo subversivas, sempre foram objeto de discussão dentro e fora das instituições psicanalíticas. As incidências do trabalho com o inconsciente mostram que a escuta do sintoma é possível considerando que este é sinal do sujeito e não manifestação de doença. Ora, nestes tempos de exigência de gozo imediato e de discursos fundamentalistas, face ao inevitável mal-estar na cultura, um tratamento que não ofereça cura milagrosa ou consolo permanente coloca-se como referência ética de que os atos de palavra são transformadores.

As associações e os psicanalistas reunidos em Convergencia – movimento lacaniano para a psicanálise freudiana – consideram que as articulações entre o sujeito e sua polis são indissociáveis; pois o psicanalista é permeável aos discursos e, para que a psicanálise possa avançar em sua prática e teoria, faz-se necessário um exame permanente das consequências de seus atos.

No V Congresso Internacional de Convergencia que acontece em Porto Alegre, teremos oportunidade de renovar esta aposta. Um momento de encontro e debate sobre os efeitos do ato psicanalítico na clínica das neuroses, das psicoses e das perversões. Acontecimento onde os psicanalistas podem dar conta da sustentação de seu ato nos mais diversos âmbitos – consultórios, ambulatórios, hospitais e outros cujo lugar de reunião é uma oportunidade para compartilhar a experiência. Além disto, temos espaço para verificar os efeitos do ato no social, a experiência do encontro do discurso psicanalítico com as políticas públicas, sejam elas educacionais, culturais, ou de saúde mental.

Um significante lançado ao mundo não é mais individual, afirmava Jacques Lacan em diversos momentos ao retomar o legado de Freud. Cada analista tem responsabilidade com a psicanálise ao sustentar em sua escuta os desdobramentos do fantasma na atualidade. Ao mesmo tempo, interrogar a política dos enlaces no campo psicanalítico faz parte de sua formação. Além disto, a transmissão do discurso psicanalítico está aberta às incidências do ato criativo, fazendo eco à potencia do discurso em seu esburacamento do real.

Convidamos a participar deste evento, no qual psicanalistas de diferentes línguas, formações e transferências estão dispostos ao diálogo e a relançar o ato inaugural que nos faz sustentar o que é a psicanálise.

 

O convite está feito! Será um evento interessante, encontro vocês lá!

 

 

Luxo ou liberdade?

Os amigos mais próximos sabem da paixão que eu tinha (tenho ainda) por Paris sem nem ao menos ter colocado um pé na cidade Luz. O fato é que em março deste ano realizei tal façanha.
Fui mais além, me encantei por outros tantos lugares: Versalhes, Roma, Londres, Amsterdam, Bruxelas… continuam vivos em minha memória como tinta fresca na parede.
Por algum motivo, tive uma enorme resistência em expor as experiências em cada lugar deste. Acho que antes de compartilhar aqui, eu queria ter a lembrança só pra mim e desfrutar disso, sendo meio egoísta, quem sabe.
Lendo uma crônica da psicanalista Maria Rita Kehl, pude voltar as lembranças da cidade luz e ainda concordar em cada palavra sobre a crítica que esta faz quanto a violência a qual nos acostumamos a considerar luxo, e esquecemos que viver em uma sociedade em que as pessoas podem andar nas ruas sem medo é… básico.

Segue abaixo a crônica da psicanalista Maria Rita Kehl.

Você tem medo de quê?

Por Maria Rita Kehl

 

Vou direto ao ponto: estive em Paris. Está dito e precisava ser dito, logo verão por quê. Mas é difícil escapar à impressão de pedantismo ou de exibicionismo, ao dizer isto. Culpa da nossa velha francofilia (já um tanto fora de moda). Ou do complexo de eternos colonizados diante dos países de primeiro mundo. Alguns significantes, como Nova Iorque ou Paris, produzem fascínio instantâneo. Se eu disser “fui a Paris”, o interlocutor responderá sempre: “que luxo!”. E se contar: “fui assaltada em Paris”, ou “fui atropelada em Paris”, é bem provável que escute: “mas que luxo, ser assaltada (atropelada) em Paris!”
O pior é que é verdade. É um verdadeiro luxo, Paris. Não por causa do Louvre, da Place Vêndome ou dos Champs Élisées. Nem pelas mercadorias todas, lindas, chiques, caras, que nem penso em trazer para casa. Meu luxo é andar nas ruas, a qualquer hora da noite ou do dia, sozinha ou acompanhada, a pé, de ônibus ou de metrô (nunca de táxi) e não sentir medo de nada. Melhor: de ninguém. Meu luxo é enfrentar sem medo o corpo a corpo com a cidade, com a multidão.
O artigo de luxo que eu traria de Paris para a vida no Brasil, se eu pudesse – artigo que não se globalizou, ao contrário, a cada dia fica mais raro e caro – seria este. O luxo de viver sem medo. Sem medo de que? De doenças? Da velhice? Da morte, da solidão? Não, estes medos fazem parte da condição humana. Pertencemos a esta espécie desnaturada, a única que sabe de antemão que o coroamento da vida consiste na decadência física, na perda progressiva dos companheiros de geração e, para coroar tudo, na morte. Do medo deste previsível grand finale não se escapa.
O luxo de viver sem medo a que me refiro é bem outro. O de circular na cidade sem temer o semelhante, sem que o fantasma de um encontro violento esteja sempre presente. Não escrevi “viver numa sociedade sem violência”, já que a violência é parte integrante da vida social. Basta que a expectativa da violência não predomine sobre todas as outras. Que a preocupação com a “segurança” (que no Brasil de hoje se traduz nas mais variadas formas de isolamento) não seja o critério principal para definir a qualidade da vida urbana.
Não vale dizer que fora do socialismo este problema não tem solução. Há mais conformismo do que parece em apostar todas as fichas da política na utopia. Enquanto a sociedade ideal não vem, estaremos condenados a viver tão mal como vivemos todos por aqui? Temos que nos conformar com a sociabilidade do medo?
Mas eu conheço, eu vivi numa cidade diferente desta em que vivo hoje. Esta cidade era São Paulo. Já fiz longas caminhadas a pé pelo centro, de madrugada. Namorando, conversando com amigos, pelo prazer despreocupado da flânerie. A passagem do ano de 1981 para 82 está viva na minha lembrança. Uma amiga pernambucana quis conhecer a “esquina de Sampa”. Fomos, num grupo de quatro pessoas, até a Ipiranga com a São João. Dali nos empolgamos e seguimos pelo centro velho. Mendigos na rua não causavam medo. Do Paysandu (o Ponto Chic estava aberto, claro!) seguimos pelo Arouche, República, São Luis, Municipal, Patriarca, Sé; o dia primeiro nasceu no Largo São Bento.
Não escrevo movida pelo saudosismo, mas pela esperança. Isso faz tão pouco tempo! Sei lá como os franceses conseguiram preservar seu raro luxo urbano. Talvez o valor do espaço público, entre eles, não tenha sido superado pelo dos privilégios privados. Talvez a lei se proponha, de fato, a valer para todos. Pode ser que a justiça funcione melhor. E que a sociedade não abra mão da aposta nos direitos. Pode ser que a violência necessária se exerça, prioritariamente, no campo da política, e não da criminalidade.
Se for assim, acabo de mudar de idéia. Viver sem medo não é, não pode ser um luxo. É básico; é o grau zero da vida em sociedade. Viver com medo é que é uma grande humilhação.

Buenos Aires: Impressões

Ahh, viajar… respirar novos ares, conhecer outra cultura, vivenciar novas experiências, falar outra língua, trocar conhecimentos…São alguns dos benefícios que se tem ao visitar outro país. Tive a chance de experimentar isso tudo semana passada na tão bela CABA (Ciudad Autonoma de Buenos Aires).

Logo ao chegar, milhões de impressões invadiram meus pensamentos. Ao sair do Aeroparque, em direção ao hotel, onde eu ficaria hospedada esses poucos dias (5 dias), já fui tirando fotos dentro do taxi! Logo pude contemplar o rio La Plata, que fica ao lado do aeroporto. Fui tirando foto de coisas que me chamaram atenção e que com certeza fariam parte do panorama que eu estava por construir de Buenos Aires. Estas foram as primeiras fotos que tirei ao chegar, já denunciando os contrastes que esta cidade possui, e que nós brasileiros sabemos bem o que é isso.

Nem tudo é só glamour…

Mais adiante, paisagens mais convidativas foram surgindo e a vontade de pular fora do taxi para ver tudo de mais perto me invadiu, aí veio aquela sensação agradável, de que muita coisa boa estava por vir. Encarnei o papel da turista mais curiosa.

Mas, antes de encarnar tal papel, eu ainda estava mais atenta com a apresentação que faria do meu trabalho no Congresso Internacional de Acompanhamento Terapêutico, já neste primeiro dia! Portanto, foi chegar no hotel, encontrar amigos, sair para almoçar e apresentar o trabalho.

Apresentei o trabalho sob o título “O não saber na formação e prática do Acompanhamento Terapêutico sob o viés da Psicanálise Lacaniana”. A mesa estava composta por outros profissionais da área, que também apresentaram seus trabalhos. Adorei poder apresentar este trabalho, não sei se tive sorte com as pessoas que assistiam, mas senti uma receptividade muito boa.

Buenos Aires é mais ou menos assim, te conquista pela arquitetura, pelas fachadas dos prédios, pelo estilo clássico, pelo tango tão explorado nos quatro cantos da cidade, pelo clima agradável, com céu azul, sol e brisa levemente gelada! O que propicia durante o dia a experimentar cervejas locais e a noite um bom vinho! Sem falar que não dá para evitar exageros em relação a duas coisas: as famosas empanadas e o alfajor!!! Comi tudo com a promessa de que ao chegar em SP me mudaria para academia! rsrsrs

Andei de taxi e metrô pela cidade, mas pelo metrô pude ter maior acesso a realidade deste lugar. O metrô deixou muito a desejar, muita sujeira, parecia que uma reforma ali nunca fora cogitada antes. Uma pena, algumas coisas pareciam tão largadas que em determinados momentos São Paulo não parecia mais um lugar tão ruim para se viver. A moeda local (peso argentino) está em desvantagem ao Real, no entanto, eles não aceitam em todos lugares, o dolar e o euro são, claro, muito bem vindos.

A música e a dança estão por todos os lados, artistas e músicos invadem a cidade e contagiam os turistas com suas melodias e e sensualidade na dança. O tango é sim um dos principais atrativos e eles demonstram muita paixão nisso.

Um passeio que recomendo é a visita ao Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires – MALBA que possui um acervo permanente de obras incríveis. É possível deixar-se hipnotizar pelas obras de Tarsila do Amaral, Diego Rivera, Frida Kahlo, Botero, etc. Destaco aqui a Abaporu (1928) de Tarsila do Amaral que chama atenção por suas cores vibrantes e forma exótica. Bem que eu gostaria que esta obra estivesse no Brasil…http://globalizar.wordpress.com/2011/09/01/malba-nega-venda-de-abaporu-ao-brasil/

MALBA

As livrarias são pontos fortes também de BA, El Ateneo contempla diversas obras e um espaço para café muito aconchegante. Vale a pena ir também. E claro, no ultimo dia que tive na cidade decidi bater perna na feira de San Telmo! Lá é o resumo de tudo que Buenos Aires oferece, bares, empandas, tango, arte, galerias, móveis restaurados, cerveja Quilmes, artistas de rua. De lá fui para a Florida (uma 25 de março melhorada) onde lojistas e camelôs dividem o espaço de uma rua comprida!

Cultura diferente, dona de monumentos fálicos (obelisco, p. ex.) que contempla uma mistura de ritmos musicais, com um povo patriota, que espelha-se em Eva Peron e Maradona e não perde o tom forte e duro na fala, que assusta um tanto no começo, mas depois percebe-se que é um jeito de se expressar, nada mais. Volto pra casa com saudade dos amigos que fiz e das tentativas engraçadas de falar castelhano…e com vontade de aprender mais!

Até a próxima!

Mariana Anconi